sexta-feira, 1 de junho de 2012
Impressões Digitais de um estranho País (cont.)
210 - Continuando a leitura do manuscrito do snr. Tempo trazido por Alice:
Houve tempo em que os Povos não decifravam A hieroglifologia Das suas arengas. Só por isso julgavam que mentiam ou que rasgavam promessas.Não. Sempre anunciaram o que queriam Sempre disseram ao que vinham Sempre foram manipuladores do medo com que injectavam os Povos. Sempre provocaram anomalias que lhes justificassem e justifiquem a diminuição da legalidade democrática e lhes permitissem muscular os regimes. Sempre praticaram inúmeras inconstitucionalidades que os Tribunais Constitucionais sempre acabam por sancionar ou não estivessem pejados dos seus agentes ou compinchas ou serventuários. São carrascos e agentes funerários da própria vida. Diz a ciência que QUando nos convencemos de que tudo sabemos... só criamos asneiras e desastres tanta vez irreparáveis.Ora... esta burguesia apodrecida ( e tanto que até se chafurdam em perfumes e outras águas de cheiros) convenceu-se de que é a Bíblia dos Tempos. O colapso anda no ar e esbanja odor melífulo por todos os recantos. Somos apenas a desculpa para toda a sua irresponsabilidade esquizofrénica. E como não podia deixar de ser Sempre bem abençoados por todas as igrejas cristãs que já há muito muito tempo traíram a fé que dizem anunciar Dando o braço a todas as opressões Especializadas em domadoras de almas que os corpos esvaídos movimentam. Ah Deus A tua Humanidade está enlouquecida : a parte menor Por ambição sem conta nem medida A parte maior Por gostar de ser rebanho e não saber ou não querer expulsar os pastores que o esbulha e rouba e trai e sufoca e mata. Além de serem especializados em os ofertar a todos os piores predadores. E como o desdém e a arrogância bem desfilam nas passadeiras dos equívocos!... O circo das palavras... flui entre a aristocracia dos vampiros. Todos os pulhas da vida fazem dos areópagos Prostíbulos E tornam-se chulos e prostitutos do velho cínico e decrépito Capital que julga que tudo é dele e ordena a todos ou não fosse Satanás no deserto: Tudo vos darei se... prostrados me adorardes! Nunca olvideis: o que vêdes e não vêdes O que sabeis e não sabeis O que sentis e não sentis O que tendes e não tendes Tudo Absolutamente TUDO é MEU e dá-lo-ei a quem me pertencer! Já a sua concubina inglesa Margaret Thatcher Bradava:é urgente conquistar as almas!... a velha sacerdotiza do Capital era uma devota das trevas. Esquecem-se todos de que a Vida deles e de tudo o mais e que tão habilmente infernizam Não vai com as suas merdências para onde o diabo os carregue. Morrem. Cagados de todo. Doentes e trôpegos. Cegos como sempre foram de toda a impossível vida afável que os seus truques não deixaram fluir. De facto... só quando a Vida for afável para todos os seres O planeta será verdadeiramente azul Rolando nos espaços Oásis de esperança e de certezas para um Deus que é a essência de cada ser existente. Agora Nesta ditadura económico-financeira A ruína será a nossa foz e a Vida acabará num estrondoso colapso se os Povos não souberem ou não puderem trocar as voltas a esta corja de melçiantes que nos tenta esmagar. Há mais escombros do que construções. Não faltam esqueletos de cimento armado em sonhos interrompidos. Prédios inteiros em degradação muda. Solitárias hipóteses de vidas que nunca aconteceram. Não falta gente sem abrigo e sem sustento. O pesadelo começa a ser indisfarçável e insustentável. PErcebem?
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209 - Ter um emprego. Um trabalho. Qualquer coisa que signifique um preço. Aquilo que acham que se vale por uma qualquer função que se execute Que se assegure. Assim somos úteis Ao somatório de todos nós Que não deixamos de ser A sociedade. Vagamente humana. Ninguém diz Mas todos dizem que a vida é dolorosa Uma aventura de alto risco Poucas vezes uma guloseima Raramente uma felicidade. Todos dizem Mas todos desdizem Que a vida nada tem de escolha Pelo menos livre Não deixando de ser uma opção Entre um cesto de algumas profissões Mais ou menos necessárias ao êxito da sociedade Sobretudo tradutores da paga Que acham sempre generosa para que sejas dócil Aquilo a uqe chama Cidadão exemplar E não dês muito trabalho Aos angélicos guardas do sistema Que nos foi ofertado Pela gula egoísta de uns quantos Que não são priveligiados Apenas e tão só Predestinados aos tronos e lemes Que nos transformam em rebanhos Que manipulam ao sabor Dos ventos dos seus interesses. Mal nos geram Começam logo a formatar-nos De acordo com os catecismos e demais bíblias vigentes. Vamos crescendo E a nossa livre escolha é A obrigatória obediência Aos que nos alimentam Que por sua vez obedecem a toda a engrenagem do sistema que vela pelo bem da famosa sociedade que se diz humana Quando se revela desumana Perfeitamente cáustica da liberdade que diz defender e instituir e aprofundar. Se fazemos beicinho Levamos no focinho. Cuidado. Oficialmente não se bate nas crianças. Nem nas mulheres Nem nos homens Noem nos jovens Nem nos velhos Oficialmente... fazem-nos a vida quotidiana Num perfeito inferno Numa serrena dormência de hospital de alienados De loucos ou de esquizofrénicos e até paranóicos. Com imensas protecções para quase todos os males que nos afligem ou podem vir a afligir. Oficialmente somos a escrita Regular e normalizada de um dicionário de devastação.Oficialmente somos a chatice Das excelências que nos pediram o voto para nos darem todas as falências Em nome de todos os êxitos que um dia qualquer havemos de ter. Uma questão de fé. à cautela As excelências vão arrecadando cofres próprios no mais seguro armazém que o sistema lhes proporcionar De preferência Longe Bem longe do local do... crime. Nós... oficialmente empobrecemos Desfilando e suando no tal vale de lágrimas de que falam fés antigas. Que fizémos Que fazemos das nossas vidinhas? Do silêncio esfarrapado e dorido do Estado Novo fugimos a salto Deixando corpos a apodrecer desde África ao resto do Mundo. Acordámos Enternecidos pelos cravos. Jurámos liberdades Num destino colectivo. Sol de pouca dura.Tornámo-nos burgueses Levedámos individualismos Extasiámo-nos com o consumismo De uma Europa que nos punha a trela e a canga Afogando-nos em subsídios. Tornámo-nos chicos-espertos a fabricar fortunas como antigos ídolos de pés de barro. Tudo crescia numa febre de betão e cimento. Povoámo-nos de estádios de futebol. Enormes. Tudo nos parecia pouco para o afã de nos sentirmos grandes Impados de progresso rápido Pejado de bairros da lata Mestiços como sempre fomos Doutorados pela sacanagem Trabalhando o Mundo e a Vida. Crescemos em dívidas Como víamo fazer aos potentados Sem nos apercebermos De que estávamos a ser encurralados. Convencemo-nos da eternidade deste sossego-desassossego Em que nos viciámos Turistas de todos os exotismos Analfabetos do nosso berço E até para comer importávamos mais do que se produzia Convencidos de que era assim que se fazia Para sermos europeus como os demais. Fechámos minas Abandonámos campos Abatemos frotas pesqueiras e comerciais Reduzimos ao máximo as ferrovias Empanturrámo-nos de automóveis de todas as cilindradas e até de barcos de recreio de todos os tamanhos. Perdemos a metalurgia e o têxtil e o vidro Com o mesmo desplante com que perdíamos a alma Bebendo novas fés de mercados e bolsas e riscos e rabiscos No doce embalo da partidocracia Anafadamente burguesa com sedas e oiros e corrupções que nos cegaram almas e corpos. Das belas mesas fartas Caíam grossas migalhas para o trabalho que pensou que com mais ferro e estopa Tudo correria a bem da nação que adoecia e não sabíamos. Aumentou e refinou e levedou Toda uma cáfila de politiqueiros que desprezam Ostensivamente desprezam o Povo que lhes dá jeito apenas para a hora do voto para parecerem democráticos. A Democracia para tal gentalha é apenas o álibi para serem poder Sem se darem conta de que são Prostitutos e prostitutas incuráveis Títeres do pior da alma humana Altifalantes ou ventrilocóides Da besta Negra A que adora suásticas e chicotes incandescentes nos dorsos dos Povos. Não sabem que são escravos quando se julgam senhores Mesmo que teimem fazer dos Povos... escravos. A maioria dos cidadãos mirra. A dúzia de senhorecos... anafadiza-se. Tresandam a morte. Ao desastre total que pastoreiam Entre estes pastos ressequidos que já não têm seiva para a sua gula. Eles são os salteadores das almas Vigaristas das legitimidades A perversa canalha que ao longo da História tudo trai em nome do oiro. E ainda têm toda a lata para afirmar em tom solene Que só falam e dizem a verdade Que não mentem nem falham ao cumprimento das suas promessas. Claro que sim. Ah!... este snr. Tempo...
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208 - Por segundos interrogo-me se Alice saberá o que me trouxe. Este snr. Tempo tem coisas!... Continuemos a lê-lo: A mediocridade governa o mundo. Passeia-se como diva nas avenidas Do medo e do receio que o povo cultiva. Inventa-se macho com falas de tirano Para melhor valer o sexo que não tem. A mediocridade é o resvalo da liberdade. A lama que lhe calafeta os passos e lhe homicida os gestos. A mediocridade é a exibição De um discurso sem alma E uma feroz paixão Para assassinar de vez a calma. A mediocridade é o fermento De todas as tiranias Por mais que fervam em fogo lento E nos prometam melhores dias.Não há graveto... dizem as ruas Onde se cruzam todos os cidadãos. As mãos solidárias estão nuas Esperança derrama estéreis grãos. O povo é algoz de si próprio Quando elege quem o tiraniza Por mais modesto e humilde e sóbrio Não pode nem deve ter quem o martiriza. Tirem as máscaras a todo o poder. Exijam-lhe na Praça a nudez Para que em definitivop se possa saber Quem do lucro e da fama faz embriaguez. Assuma-se o Povo como real construtor De toda a História de todos os calendários Saberá então onde mora o redentor Que esmague de vez estes falsários. A alta burguesia anda de iate nas veias De todo um povo ignorante de paraísos Nas tribunas arengam moreias Telintando os mais negros avisos. Estado Novo dizia Salazar e agora Proclama-se o objectivo de... Regime Novo. às voltas gira e anda a velha nora Sacando o que pode e o que não deve ao Povo. Vivamos a necessidade de transformação Ouvindo as fontes e vendo o voo do gaio Sentindo dentro de tudo o coração Que nos eleva de Abril até Maio. Ergamos a possível novidade De acabar de vez com as grilhetas Hasteando em cada alma a liberdade Acabando com as políticas as operetas.A obediência inventa um protesto Mascara-se de rebelada E desfila devidamente autorizada Na avenida de todo um incesto. Apesar de todas as dores tem ar de festa E consagra umas horas de movimento Como luta sagrada e alimento Para voltar ordeira para a sua besta. Se quisesse desafiar o alinhamento Que lhe assassina a vida Talvez não andasse tão caída E forjasse tempo novo e novo pensamento. Contestar sem que se ouse rasgar O contrato que nos esmaga Acaba sempre por ser a adaga Que a todos nos há-de assassinar.
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207 -Continuamos a ler o manuscrito que Alice nos trouxe do snr. Tempo: Junto às portas das cidades há um sonho De achar o tétrico e o mágico e o novo Beber a pressa num copo de medronho E ver enxamear as ruas por todo um povo. Junto às portas das cidades há um grito Que vem do fundo da alma da aldeia abandonada E em cada largo nou avenida vemos um proscrito Que sobrevive na bolha de uma bússola avariada. Junto às portas das cidades há um gesto De acordar nas vielas a alma dissecada Dos que no sonho nada mais houveram que o indigesto Trapaceiro bruxo da vida naufragada. Junto às portas das cidades há um receio De tudo se perder no ventre citadino Pelo negócio que trabalha o paleio Com que um homem deixa de ser menino. Junto às portas das cidades há um canto que quer acordar as ruas e vislumbrar Todo um tempo de secar um pranto E ver as leis que o Povo quer saudar. Não me tragas trapos de ouvir o chão Não me queimes terras de perder a alma Toda a terra é pouca para o nosso pão Se a ganância gritar e perder a calma. Corpos de linho encharcados de mosto Cruzam as ruas de revolta em punho Cada vez menor é a guarida do Sol posto E o que é preciso não passa de rascunho. Restritos são os cavalos à desfilada Neste País incendiado por mais deserto Falta-nos o levantar sério da madrugada E acreditar que o Sol já lhe é tão perto. Nem rosas nem cravos nem mais flores Nas mãos que naufragam nas veias De um tempo em que a vingança dos senhores Já não tem o encanto das sereias. Talvez que a dor da terra dorida Se transforme em seara de vida.Não me tragas sonhos de mel desavindo Nem calçadas imperfeitas de mãos portuguesas Traz-me um pouco de puro mel florindo Em fatias de pão de improváveis mesas. Há um cão solitário em cada um de nós Que corre e percorre um mundo às avessas Sem que tanta vez faça ouvir a voz Olhando apenas o silêncio das travessas. Pela morte não queremos sequer incomodar Qualquer que seja das veneráveis excelências Cão solitário acaba por se acomodar Em qualquer das nuas e rudes saliências. O que se deixa por rastro é testamento Que apenas os mais atentos podem sorver Esquiços de um profundo pensamento Que a tudo resistiu para o futuro conceber. O incómodo apenas surge de se viver No fio de tudo o que pode rasgar A mansidão de um ignorante viver Que teimou com o tempo tudo resignar.Não tenho pressa em saber a caligrafia Do futuro que os senhores de agora nos querem dar. Num envelope meto a noite e o dia Para remeter a quem os queira clarear. Não posso assinar cada aplauso Que esta gente ao Mundo tenta arrancar. Não quero sequer sorrir. Apenas causo Tremores na consciência que ouso denunciar. Das artrites das ruas aos espirros dos bares Modela-se todo um tempo de asnear. Curiosamente os burros andam aos pares Mas já perderam o hábito de coicear. Já nada nos diz da velha bravura Que amotinava a arraia miúda. E a dor sem glória é a gravura Que fica na História de gente meã e graúda.Meu amigo. Meus amigos Falarei do pequeno conhecimento: Amai a pequena gota de água Que nos eleva acima da mágoa E tudo pode vivificar. Em cada semente há que amar O futuro que vai florir. Não respeitará o que queremos Apenas será o que desejamos. Não saberá discernir Entre o que fabriquemos E tudo aquilo que adiamos Mas será indelevelmente O futuro que teremos pela frente.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
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206 - Continuando com o manuscrito do snr. Tempo que Alice nos trouxe: Que de barcos trouxeram novas da esperança Que de sapiências mitigaram a descrença Nesta terra aviltada por tanto Sancho Pança Que qualquer Dom Quixote já não faz diferença?! Que de salinas nos podem dar o sal Que nos condimente tanta sensaboria Tudo se agarra ao que era usual Que já se teme que a noite seja cais do dia. Que de inovações seremos capazes Se não soubermos inovar consciências Vícios antigos só nos deram bons rapazes Que nos fintaram todas as transparências. Que de tempo novo havemos de cumprir Neste olhar o mundo a arriscar Nunca à transigência poder sucumbir Jamais o logro poder entronizar.Revolta... a terra precisa de revolta Para poder de novo emprenhar Tudo o que acaba já não volta Tudo o que se perde difícil será reganhar. O velho mundo agarra-se ao velho sistema Para que os seus dignatários não fiquem nús O tempo novo não suporta o velho esquema Que se desculpa com que os novos ainda são crús. Abram-se portas a toda a nova claridade Invadam-se todas as terras abandonadas Nas pequenas crenças há uma possibilidade De novas geografias com novas coordenadas. Acabe-se de vez com tanta sofreguidão Todos têm que ser chamados à fogueira A vida precisa de um novo coração Que por todos bata de nova maneira. As flores das várzeas já não resplandecem Ante a seca que nos fragiliza a verdade Passo a passo ou dor a dor nos falecem Todas as ousadias da nossa liberdade. Andamos resignados ante a impotência De reagir contra tudo o que nos invade Com toda a carga de falta de transparência E o fatalismo da traição que nos grade.Precisamos de uma nova ousadia Que nos encha o crâneo de descobertas Ter de novo na alma mar de alegria De beijar a alma das verdades encobertas. Dos velhos trazemos a âncora da História Dos novos fabricamos ousar o futuro. Que não se tente branquear a memória Para que o hoje não nos dê pão mais duro. Saibamos desfraldar velas ao vento Nos mares incómodos de cada hora Abrir novos horizontes ao pensamento Sem que a História nos deite fora. A verdadeira democracia reside no Povo O seu poder A sua expressão O seu querer.Sendo certo que nada pode haver de novo Sem que haja um pensamento a FLORESCER. e SERÁ ASSIM QUE A CULTURA E A ARTE São ventres profícuos de mil futuros Nada deste binómio poderá ficar de parte Tudo o que for impedido criará muros. Não há progresso sem ousar arte e criação Nem liberdade sem que haja a passagem Da profunda seiva da impensável inovação Que nos crie um novo tempo em nova aragem. Façam o que quiserem por mais voltas dadas Quem não souber dar portas livres à inovação Não poderá nunca falar de gentes libertadas Muito menos de pátrias livres e de criação.
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205 - Pasmadíssimo de tudo... olhei a informação do INE e do Banco de Portugal relativa a 2010: a riqueza líquida média dos 10% de famílias mais ricas deste País... é mais do dobro da soma da riqueza média dos restantes escalões da População.Depois:entre outros hospitais o de Santarém teve menos 25% de cirurgias por saída de médicos.Foram para onde? Para o Hospital privado que médicos daquele hospital ergueram quase ali ao lado?... Ainda. Gunter Grass ( nobel alemão da literatura)escreveu um poema:"A vergonha da Europa" e diz:a Europa sujeita a Grécia ao sofrimento ao colocá-la no "pelourinho do devedor" em vez de lhe agradecer pelo seu berço. "O que com alma buscaste... hoje descartas". Com a avaliação de lixo a Grécia é hoje um País condenado a ser pobre. A sua riqueza enfeita cuidados museus ( Pérgamo-Berlim e Britânico-Londres) graças ao saque consentido. A Grécia que (60%) a Alemanha quer mandar para fora do euro é a mesma que a Alemanha (nazi) invadiu na II Guerra Mundial. " Sem este País murcharás Europa privada do espírito que um dia te concebeu".Ainda: o presidente da ANAFRE ( Associação das Juntas de Freguesia) diz que... ao falar com a Troika ficou a saber que o plano para extinção de Freguesias não foi imposta pela dita mas...plano que governo português lhe apresentou. A Troika nem sabia que existiam Freguesias... coisa que na Europa não há.Estávamos pasmados com tanta desfaçatez e surge: o Instituto do Emprego e Formação Profissional é o responsável pelo desenvolvimento e operacionalização da medida " Estímulo 2012". Recebeu do Fundo Social Europeu 100 milhões de euros para criar 56 mil empregos. Assim a oferta de emprego para Mestres e Licenciados é de 485 Euros e com horários que podem começar às 5 da madrugada. Seis meses de contrato. Nem mais um dia. Para receberem formação. Ao vivo e a cores. As empresas recebem 2515,32 euros por cada contratado a prazo. Sem palavras. Vai daí... surge Alice. Vem radiante.
Traz-me um manuscrito. Diz que foi atribuído ao snr. Tempo... estranho personagem de um livro que se intitula " Os cravos do senhor Tempo".Não havia título mas percebía-se que tinha a ver com todo este cenário de Feira da Ladra em que Portugal se vê mergulhado.E logo a abrir: Que de águas Que de águias nos vêm das fontes De olhar a vida para além das asas E caligrafar todo um tempo de pontes Que nos abraçam nas marés vazas?! Que de tempos Que de Sinais nos dá o sonho De marear as rotas de um calendário Nestes ventos que são mais de medonho Do que serena paz de sudário?! Não venham para cima das ruas Com toda a vossa desfaçatez Que as vidas são duras e até nuas Mas nunca o mercado que quereis. Antes o sonho de viver em português Como um Povo e nunca como reis.Fiquei a magicar. Para a próxima talvez traga o resto.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Impressões digitais de um estranho País (cont.)
204 - Alice está ainda mais desolada. Nem as recentes comemorações do 25 de Abril em que assistiu ao espectáculo de declamação e canto e música comemorativo dos 25 anos de falecimento do Zeca Afonso e dos 75 anos de nascimento do Ary dos Santos ( Do trovador ao bardo - um vulcão de liberdade) nem as do 1º de Maio a fez ficar mais esperançada. Ela diz: A Europa anda de democracia suspensa. As direitas querem obter pela crise o que não almejaram por eleições.Os homens de mão da Goldman Sachs têm passaportes diversos mas pensam exactamente do mesmo modo. Desde o Papademos ao Mario Monti ou do Draghi ao nosso Gaspar sem esquecer o António Borges entre outros.Pertenceram todos ao mesmo núcleo empresarial. Quem é esta? Dedicadissima à acumulação de capital e de poder. Crê-se colonial e com poderes de soberania sobre os povos. Qualquer Estado Social é seu inimigo figadal. Que é isso de distribuir os rendimentosa de um Povo por essa caterva de arraias miúdas? E quanto aos impostos... para eles... nunca.Passos Coelho e Vítor Gaspar podem falar português mas... a Alemanha é o seu modelo.Não têm noção de integridade ou de coesão nacionais. Só o grande capital é que lhes interessa.Quadros a quem a Goldman Sachs agradece o seu poderio. A lula-vampiro. Oferta dirigentes aos Países em crise e depois... oferta-lhes lugares de destaque. Estes senhorecos dizem-se economistas ou políticos mas...são meros vocalizadores dos ditames da especial Goldman Sachs.Se a Europa fosse de facto uma União Europeia... as dívidas seriam da UE e não de um só Estado.Até porque o sobreendividamento destes derivou dos ditames da União Europeia.Quem nos obrigou a destruir os aparelhos produtivos que já de si não eram poderosos? Quem é que formatou ou formata os produtos de alimentação e outros e nos obrigou a consumi-los? Ora... se as dívidas são dos Estados em crise e pobreza aceleradas... então os Estados podem e devem de accionar as cláusulas de derrogação dos tratados ou invocar o direito internacional por emergência nacional a fim de reequacionar as dívidas e poder reaver investimento.Só o não fazem porque são paus-mandados do capital internacional.Porque se creem vice-reis da toda poderosa Alemanha para quem todas estas políticas servem para ter a ilusão de se defender da China e submeter toda a Europa à sua vontade imperial. O que Hitler não obteve pelas armas está a Merkhl a obter pela economia?! A nossa Constituição não é respeitada. O que faz o Tribunal Constitucional? Legaliza ou dá crédito a tudo o que ataca a dita de que seria o guardião. E não nos falta nada. Até os tiques repressivos e autoritários. Caminhamos para um sistema em que a democracia é formal e a prática social é fascista.Só assim se entende o poder que está a ser acumulado sobre o grande patrão e que o pequeno patrão imita sobre o trabalho.O nosso centro direita é o algoz da democracia e do Estado Social que para eles significa regalia ou privilégio.Esquecem que são direitos ( conquistados depois de Abril de 74) e pagos pelos descontos de todos os que trabalham.Esquecem que muitas das reformas milionários dos snrs.políticos do centro-direita foram esbulhos feitos ao bolo geral ( porque os conseguiram com menos tempo de trabalho e de descontos). Esquecem que antes do 25/74/Abril o chamado Estado Novo de Salazar negava tudo isso aos portugueses e os empobrecera e estupidifcara para poder ser tirano e benemériot das grandes famílias burguesas que tudo dele mamavam enquanto chicoteavam o pagode.Curiosamente... quando me falam... diz Alice... em Regime Novo nesta hora actual... um frio percorre-me as cruzes e a espinha. Os nossos parlamentares já não detêm poder. Este está concentrado no Executivo. Cada vez mais. Há uns anos atrás era a luta contra o comunismo que foi substituída pelo luta contra o terrorismo e com isto vão diminuindo a democracia e a liberdade e musculando os regimes e manipulando os povos pelo e com o medo de tudo e mais alguma coisa. Daí as crises económicas e financeiras que tão habilmente têm parido. O tratado de Maastricht foi o ponta-pé de saída para o colapso financeiro dos Países europeus mais frágeis ou... como o nosso... a recuperar de uma ditadura fascista. Os mecanismos do colapso: abertura aos mercados mundiais e um euro desenhado e pensado por um quadro da Goldman Sachs em nome da sobrevivência alemã.Até o filósofo grego Christos Yannaras reconhece que a Europa está numa crise cultural profunda. A sua Economia divorciou-se do cidadão. O jogo da Bolsa nada tem a ver com produção ou criatividade de um qualquer País. A política não considera o cidadão. Faz-se política como se gera uma empresa sujeita às regras do marketing. Não há objectivos concretos nem visão social por mais que os discursos oficiais nos queiram fazer crer que sim. As economias e as políticas são para servir os cidadãos e não o contrário.As próprias religiões lhes fazem o jogo. Enquanto o protestantismmo alemão sacraliza o dinheiro o restante cristianismo abandonou as questões da vida e da morte para individualizar a salvação.Há poucos dias a igreja portuguesa anulou os feriados religiosos do Corpo de Deus e de Todos os Santos porque... urge salvar as Misericórdias e outras sociais da Igreja... e o capital... como sempre... é o poder e a Igreja sempre esteve do lado do poder e ser a domesticadora dos Povos.Se os políticos traiem os seus concidadãos a Igreja trai a sua própria fé.Seja como for só há um caminho: A resposta a tudo istop reside na esquerda que na linguagem actual é a oposição. Assim: que saibam recolocar a democracia no centro do sistema.Que saibam recuperar as funções sociais do Estado. Por fim que saibam e tenham a coragem de retirar os Estados da tutela do capital financeiro global. O Banco Central Europeu deve financiar as empresas e obrigá-las a produzir bem como os Estados da União.Nunca... os bancos. Também que os Estados saibam redistribuir os lucros pelos cidadãos de molde a que as economias nacionais possam desenvolver-se.Tudo isto obriga a amplos consensos entre tudo o que compõe as esquerdas de cada País.Serão capazes de prescindir do velho egoísmo serôdio e perceber a construção de um mundo novo a sério?
As dúvidas são imensas... entretanto vemos os cidadãos a serem esfacelados em cada dia que corre... a diminuição crescente dos direitos sociais e do trabalho que mais não são do que direitos humanos...a descrença de tudo a aumentar e... como dizia a Tatcher: importa conquistar as almas dos cidãos para os desígnios da Economia que propomos.Se não for a bem é a mal.A bota fascizante da ultra-ortodoxia neo-liberal e tecnocrata está a crescer sobre o corpo e a alma da Europa e deste País.Deste País?... será que ainda o somos? E que ninguém esqueça esta gente que nos lidera não tem vergonha nem consciência. Apenas os move a cegueira da sua fé: o absolutismo do grande capital financeiro de que são meros títeres.Até à próxima. E lá se foi a Alice que já foi do País das Maravilhas.
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