sexta-feira, 1 de junho de 2012

Impressões Digitais de um estranho País ( cont)

208 - Por segundos interrogo-me se Alice saberá o que me trouxe. Este snr. Tempo tem coisas!... Continuemos a lê-lo: A mediocridade governa o mundo. Passeia-se como diva nas avenidas Do medo e do receio que o povo cultiva. Inventa-se macho com falas de tirano Para melhor valer o sexo que não tem. A mediocridade é o resvalo da liberdade. A lama que lhe calafeta os passos e lhe homicida os gestos. A mediocridade é a exibição De um discurso sem alma E uma feroz paixão Para assassinar de vez a calma. A mediocridade é o fermento De todas as tiranias Por mais que fervam em fogo lento E nos prometam melhores dias.Não há graveto... dizem as ruas Onde se cruzam todos os cidadãos. As mãos solidárias estão nuas Esperança derrama estéreis grãos. O povo é algoz de si próprio Quando elege quem o tiraniza Por mais modesto e humilde e sóbrio Não pode nem deve ter quem o martiriza. Tirem as máscaras a todo o poder. Exijam-lhe na Praça a nudez Para que em definitivop se possa saber Quem do lucro e da fama faz embriaguez. Assuma-se o Povo como real construtor De toda a História de todos os calendários Saberá então onde mora o redentor Que esmague de vez estes falsários. A alta burguesia anda de iate nas veias De todo um povo ignorante de paraísos Nas tribunas arengam moreias Telintando os mais negros avisos. Estado Novo dizia Salazar e agora Proclama-se o objectivo de... Regime Novo. às voltas gira e anda a velha nora Sacando o que pode e o que não deve ao Povo. Vivamos a necessidade de transformação Ouvindo as fontes e vendo o voo do gaio Sentindo dentro de tudo o coração Que nos eleva de Abril até Maio. Ergamos a possível novidade De acabar de vez com as grilhetas Hasteando em cada alma a liberdade Acabando com as políticas as operetas.A obediência inventa um protesto Mascara-se de rebelada E desfila devidamente autorizada Na avenida de todo um incesto. Apesar de todas as dores tem ar de festa E consagra umas horas de movimento Como luta sagrada e alimento Para voltar ordeira para a sua besta. Se quisesse desafiar o alinhamento Que lhe assassina a vida Talvez não andasse tão caída E forjasse tempo novo e novo pensamento. Contestar sem que se ouse rasgar O contrato que nos esmaga Acaba sempre por ser a adaga Que a todos nos há-de assassinar.

Impressões Digitais de um estranho País (cont.)

207 -Continuamos a ler o manuscrito que Alice nos trouxe do snr. Tempo: Junto às portas das cidades há um sonho De achar o tétrico e o mágico e o novo Beber a pressa num copo de medronho E ver enxamear as ruas por todo um povo. Junto às portas das cidades há um grito Que vem do fundo da alma da aldeia abandonada E em cada largo nou avenida vemos um proscrito Que sobrevive na bolha de uma bússola avariada. Junto às portas das cidades há um gesto De acordar nas vielas a alma dissecada Dos que no sonho nada mais houveram que o indigesto Trapaceiro bruxo da vida naufragada. Junto às portas das cidades há um receio De tudo se perder no ventre citadino Pelo negócio que trabalha o paleio Com que um homem deixa de ser menino. Junto às portas das cidades há um canto que quer acordar as ruas e vislumbrar Todo um tempo de secar um pranto E ver as leis que o Povo quer saudar. Não me tragas trapos de ouvir o chão Não me queimes terras de perder a alma Toda a terra é pouca para o nosso pão Se a ganância gritar e perder a calma. Corpos de linho encharcados de mosto Cruzam as ruas de revolta em punho Cada vez menor é a guarida do Sol posto E o que é preciso não passa de rascunho. Restritos são os cavalos à desfilada Neste País incendiado por mais deserto Falta-nos o levantar sério da madrugada E acreditar que o Sol já lhe é tão perto. Nem rosas nem cravos nem mais flores Nas mãos que naufragam nas veias De um tempo em que a vingança dos senhores Já não tem o encanto das sereias. Talvez que a dor da terra dorida Se transforme em seara de vida.Não me tragas sonhos de mel desavindo Nem calçadas imperfeitas de mãos portuguesas Traz-me um pouco de puro mel florindo Em fatias de pão de improváveis mesas. Há um cão solitário em cada um de nós Que corre e percorre um mundo às avessas Sem que tanta vez faça ouvir a voz Olhando apenas o silêncio das travessas. Pela morte não queremos sequer incomodar Qualquer que seja das veneráveis excelências Cão solitário acaba por se acomodar Em qualquer das nuas e rudes saliências. O que se deixa por rastro é testamento Que apenas os mais atentos podem sorver Esquiços de um profundo pensamento Que a tudo resistiu para o futuro conceber. O incómodo apenas surge de se viver No fio de tudo o que pode rasgar A mansidão de um ignorante viver Que teimou com o tempo tudo resignar.Não tenho pressa em saber a caligrafia Do futuro que os senhores de agora nos querem dar. Num envelope meto a noite e o dia Para remeter a quem os queira clarear. Não posso assinar cada aplauso Que esta gente ao Mundo tenta arrancar. Não quero sequer sorrir. Apenas causo Tremores na consciência que ouso denunciar. Das artrites das ruas aos espirros dos bares Modela-se todo um tempo de asnear. Curiosamente os burros andam aos pares Mas já perderam o hábito de coicear. Já nada nos diz da velha bravura Que amotinava a arraia miúda. E a dor sem glória é a gravura Que fica na História de gente meã e graúda.Meu amigo. Meus amigos Falarei do pequeno conhecimento: Amai a pequena gota de água Que nos eleva acima da mágoa E tudo pode vivificar. Em cada semente há que amar O futuro que vai florir. Não respeitará o que queremos Apenas será o que desejamos. Não saberá discernir Entre o que fabriquemos E tudo aquilo que adiamos Mas será indelevelmente O futuro que teremos pela frente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Impressões digitais de um estranho País (cont.)

206 - Continuando com o manuscrito do snr. Tempo que Alice nos trouxe: Que de barcos trouxeram novas da esperança Que de sapiências mitigaram a descrença Nesta terra aviltada por tanto Sancho Pança Que qualquer Dom Quixote já não faz diferença?! Que de salinas nos podem dar o sal Que nos condimente tanta sensaboria Tudo se agarra ao que era usual Que já se teme que a noite seja cais do dia. Que de inovações seremos capazes Se não soubermos inovar consciências Vícios antigos só nos deram bons rapazes Que nos fintaram todas as transparências. Que de tempo novo havemos de cumprir Neste olhar o mundo a arriscar Nunca à transigência poder sucumbir Jamais o logro poder entronizar.Revolta... a terra precisa de revolta Para poder de novo emprenhar Tudo o que acaba já não volta Tudo o que se perde difícil será reganhar. O velho mundo agarra-se ao velho sistema Para que os seus dignatários não fiquem nús O tempo novo não suporta o velho esquema Que se desculpa com que os novos ainda são crús. Abram-se portas a toda a nova claridade Invadam-se todas as terras abandonadas Nas pequenas crenças há uma possibilidade De novas geografias com novas coordenadas. Acabe-se de vez com tanta sofreguidão Todos têm que ser chamados à fogueira A vida precisa de um novo coração Que por todos bata de nova maneira. As flores das várzeas já não resplandecem Ante a seca que nos fragiliza a verdade Passo a passo ou dor a dor nos falecem Todas as ousadias da nossa liberdade. Andamos resignados ante a impotência De reagir contra tudo o que nos invade Com toda a carga de falta de transparência E o fatalismo da traição que nos grade.Precisamos de uma nova ousadia Que nos encha o crâneo de descobertas Ter de novo na alma mar de alegria De beijar a alma das verdades encobertas. Dos velhos trazemos a âncora da História Dos novos fabricamos ousar o futuro. Que não se tente branquear a memória Para que o hoje não nos dê pão mais duro. Saibamos desfraldar velas ao vento Nos mares incómodos de cada hora Abrir novos horizontes ao pensamento Sem que a História nos deite fora. A verdadeira democracia reside no Povo O seu poder A sua expressão O seu querer.Sendo certo que nada pode haver de novo Sem que haja um pensamento a FLORESCER. e SERÁ ASSIM QUE A CULTURA E A ARTE São ventres profícuos de mil futuros Nada deste binómio poderá ficar de parte Tudo o que for impedido criará muros. Não há progresso sem ousar arte e criação Nem liberdade sem que haja a passagem Da profunda seiva da impensável inovação Que nos crie um novo tempo em nova aragem. Façam o que quiserem por mais voltas dadas Quem não souber dar portas livres à inovação Não poderá nunca falar de gentes libertadas Muito menos de pátrias livres e de criação.

Impressões digitais de um estranho País (cont.)

205 - Pasmadíssimo de tudo... olhei a informação do INE e do Banco de Portugal relativa a 2010: a riqueza líquida média dos 10% de famílias mais ricas deste País... é mais do dobro da soma da riqueza média dos restantes escalões da População.Depois:entre outros hospitais o de Santarém teve menos 25% de cirurgias por saída de médicos.Foram para onde? Para o Hospital privado que médicos daquele hospital ergueram quase ali ao lado?... Ainda. Gunter Grass ( nobel alemão da literatura)escreveu um poema:"A vergonha da Europa" e diz:a Europa sujeita a Grécia ao sofrimento ao colocá-la no "pelourinho do devedor" em vez de lhe agradecer pelo seu berço. "O que com alma buscaste... hoje descartas". Com a avaliação de lixo a Grécia é hoje um País condenado a ser pobre. A sua riqueza enfeita cuidados museus ( Pérgamo-Berlim e Britânico-Londres) graças ao saque consentido. A Grécia que (60%) a Alemanha quer mandar para fora do euro é a mesma que a Alemanha (nazi) invadiu na II Guerra Mundial. " Sem este País murcharás Europa privada do espírito que um dia te concebeu".Ainda: o presidente da ANAFRE ( Associação das Juntas de Freguesia) diz que... ao falar com a Troika ficou a saber que o plano para extinção de Freguesias não foi imposta pela dita mas...plano que governo português lhe apresentou. A Troika nem sabia que existiam Freguesias... coisa que na Europa não há.Estávamos pasmados com tanta desfaçatez e surge: o Instituto do Emprego e Formação Profissional é o responsável pelo desenvolvimento e operacionalização da medida " Estímulo 2012". Recebeu do Fundo Social Europeu 100 milhões de euros para criar 56 mil empregos. Assim a oferta de emprego para Mestres e Licenciados é de 485 Euros e com horários que podem começar às 5 da madrugada. Seis meses de contrato. Nem mais um dia. Para receberem formação. Ao vivo e a cores. As empresas recebem 2515,32 euros por cada contratado a prazo. Sem palavras. Vai daí... surge Alice. Vem radiante. Traz-me um manuscrito. Diz que foi atribuído ao snr. Tempo... estranho personagem de um livro que se intitula " Os cravos do senhor Tempo".Não havia título mas percebía-se que tinha a ver com todo este cenário de Feira da Ladra em que Portugal se vê mergulhado.E logo a abrir: Que de águas Que de águias nos vêm das fontes De olhar a vida para além das asas E caligrafar todo um tempo de pontes Que nos abraçam nas marés vazas?! Que de tempos Que de Sinais nos dá o sonho De marear as rotas de um calendário Nestes ventos que são mais de medonho Do que serena paz de sudário?! Não venham para cima das ruas Com toda a vossa desfaçatez Que as vidas são duras e até nuas Mas nunca o mercado que quereis. Antes o sonho de viver em português Como um Povo e nunca como reis.Fiquei a magicar. Para a próxima talvez traga o resto.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Impressões digitais de um estranho País (cont.)

204 - Alice está ainda mais desolada. Nem as recentes comemorações do 25 de Abril em que assistiu ao espectáculo de declamação e canto e música comemorativo dos 25 anos de falecimento do Zeca Afonso e dos 75 anos de nascimento do Ary dos Santos ( Do trovador ao bardo - um vulcão de liberdade) nem as do 1º de Maio a fez ficar mais esperançada. Ela diz: A Europa anda de democracia suspensa. As direitas querem obter pela crise o que não almejaram por eleições.Os homens de mão da Goldman Sachs têm passaportes diversos mas pensam exactamente do mesmo modo. Desde o Papademos ao Mario Monti ou do Draghi ao nosso Gaspar sem esquecer o António Borges entre outros.Pertenceram todos ao mesmo núcleo empresarial. Quem é esta? Dedicadissima à acumulação de capital e de poder. Crê-se colonial e com poderes de soberania sobre os povos. Qualquer Estado Social é seu inimigo figadal. Que é isso de distribuir os rendimentosa de um Povo por essa caterva de arraias miúdas? E quanto aos impostos... para eles... nunca.Passos Coelho e Vítor Gaspar podem falar português mas... a Alemanha é o seu modelo.Não têm noção de integridade ou de coesão nacionais. Só o grande capital é que lhes interessa.Quadros a quem a Goldman Sachs agradece o seu poderio. A lula-vampiro. Oferta dirigentes aos Países em crise e depois... oferta-lhes lugares de destaque. Estes senhorecos dizem-se economistas ou políticos mas...são meros vocalizadores dos ditames da especial Goldman Sachs.Se a Europa fosse de facto uma União Europeia... as dívidas seriam da UE e não de um só Estado.Até porque o sobreendividamento destes derivou dos ditames da União Europeia.Quem nos obrigou a destruir os aparelhos produtivos que já de si não eram poderosos? Quem é que formatou ou formata os produtos de alimentação e outros e nos obrigou a consumi-los? Ora... se as dívidas são dos Estados em crise e pobreza aceleradas... então os Estados podem e devem de accionar as cláusulas de derrogação dos tratados ou invocar o direito internacional por emergência nacional a fim de reequacionar as dívidas e poder reaver investimento.Só o não fazem porque são paus-mandados do capital internacional.Porque se creem vice-reis da toda poderosa Alemanha para quem todas estas políticas servem para ter a ilusão de se defender da China e submeter toda a Europa à sua vontade imperial. O que Hitler não obteve pelas armas está a Merkhl a obter pela economia?! A nossa Constituição não é respeitada. O que faz o Tribunal Constitucional? Legaliza ou dá crédito a tudo o que ataca a dita de que seria o guardião. E não nos falta nada. Até os tiques repressivos e autoritários. Caminhamos para um sistema em que a democracia é formal e a prática social é fascista.Só assim se entende o poder que está a ser acumulado sobre o grande patrão e que o pequeno patrão imita sobre o trabalho.O nosso centro direita é o algoz da democracia e do Estado Social que para eles significa regalia ou privilégio.Esquecem que são direitos ( conquistados depois de Abril de 74) e pagos pelos descontos de todos os que trabalham.Esquecem que muitas das reformas milionários dos snrs.políticos do centro-direita foram esbulhos feitos ao bolo geral ( porque os conseguiram com menos tempo de trabalho e de descontos). Esquecem que antes do 25/74/Abril o chamado Estado Novo de Salazar negava tudo isso aos portugueses e os empobrecera e estupidifcara para poder ser tirano e benemériot das grandes famílias burguesas que tudo dele mamavam enquanto chicoteavam o pagode.Curiosamente... quando me falam... diz Alice... em Regime Novo nesta hora actual... um frio percorre-me as cruzes e a espinha. Os nossos parlamentares já não detêm poder. Este está concentrado no Executivo. Cada vez mais. Há uns anos atrás era a luta contra o comunismo que foi substituída pelo luta contra o terrorismo e com isto vão diminuindo a democracia e a liberdade e musculando os regimes e manipulando os povos pelo e com o medo de tudo e mais alguma coisa. Daí as crises económicas e financeiras que tão habilmente têm parido. O tratado de Maastricht foi o ponta-pé de saída para o colapso financeiro dos Países europeus mais frágeis ou... como o nosso... a recuperar de uma ditadura fascista. Os mecanismos do colapso: abertura aos mercados mundiais e um euro desenhado e pensado por um quadro da Goldman Sachs em nome da sobrevivência alemã.Até o filósofo grego Christos Yannaras reconhece que a Europa está numa crise cultural profunda. A sua Economia divorciou-se do cidadão. O jogo da Bolsa nada tem a ver com produção ou criatividade de um qualquer País. A política não considera o cidadão. Faz-se política como se gera uma empresa sujeita às regras do marketing. Não há objectivos concretos nem visão social por mais que os discursos oficiais nos queiram fazer crer que sim. As economias e as políticas são para servir os cidadãos e não o contrário.As próprias religiões lhes fazem o jogo. Enquanto o protestantismmo alemão sacraliza o dinheiro o restante cristianismo abandonou as questões da vida e da morte para individualizar a salvação.Há poucos dias a igreja portuguesa anulou os feriados religiosos do Corpo de Deus e de Todos os Santos porque... urge salvar as Misericórdias e outras sociais da Igreja... e o capital... como sempre... é o poder e a Igreja sempre esteve do lado do poder e ser a domesticadora dos Povos.Se os políticos traiem os seus concidadãos a Igreja trai a sua própria fé.Seja como for só há um caminho: A resposta a tudo istop reside na esquerda que na linguagem actual é a oposição. Assim: que saibam recolocar a democracia no centro do sistema.Que saibam recuperar as funções sociais do Estado. Por fim que saibam e tenham a coragem de retirar os Estados da tutela do capital financeiro global. O Banco Central Europeu deve financiar as empresas e obrigá-las a produzir bem como os Estados da União.Nunca... os bancos. Também que os Estados saibam redistribuir os lucros pelos cidadãos de molde a que as economias nacionais possam desenvolver-se.Tudo isto obriga a amplos consensos entre tudo o que compõe as esquerdas de cada País.Serão capazes de prescindir do velho egoísmo serôdio e perceber a construção de um mundo novo a sério? As dúvidas são imensas... entretanto vemos os cidadãos a serem esfacelados em cada dia que corre... a diminuição crescente dos direitos sociais e do trabalho que mais não são do que direitos humanos...a descrença de tudo a aumentar e... como dizia a Tatcher: importa conquistar as almas dos cidãos para os desígnios da Economia que propomos.Se não for a bem é a mal.A bota fascizante da ultra-ortodoxia neo-liberal e tecnocrata está a crescer sobre o corpo e a alma da Europa e deste País.Deste País?... será que ainda o somos? E que ninguém esqueça esta gente que nos lidera não tem vergonha nem consciência. Apenas os move a cegueira da sua fé: o absolutismo do grande capital financeiro de que são meros títeres.Até à próxima. E lá se foi a Alice que já foi do País das Maravilhas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Impressões digitais de um estranho País ( cont.)

202 - Alice não anda feliz. Descobriu que a governação do Passos Coelho fez tábua rasa do congelamento das progressões na função pública e autorizou as promoções para as forças armadas e polícia segurança pública e guarda nacional republicana e guarda fiscal.A opção de muscular a democracia parece estar na ordem do dia. Já a CGD financia a OPA sobre a brisa: quatrocentos milhões de euros. Assim sendo... a banca mostra-se disponível ter hegemonia sobre as empresas públicas que não estejam sujeitas à concorrência internacional. Para financiar as empresas exportadoras... as que podem obter mais valias para o País...NÃO. Porque nos havemos de admirar com a opção do poder musculado que está a ser o cimento da actual liderança governamental?! Para combater a fraude... dizem...diminui-se o subsídio de doença: 50% nos primeiros trinta dias. 60% será o possível para os noventa dias. Baixa também o subsídio do desemprego. Exactamente quando... atingimos o recorde de 15% de desempregados. Combate à fraude? Então e as inspecções? Não as de carácter pressecutório. Mas as que fiscalizam para moderar os excessos. E... quem fizesse vigarice era penalizado. Os outros... não. Ora... quando se adoece será quando se precisa mais de apoio económico-financeiro. O mesmo quando se está no desemprego.Mas não... quebra-se a cadeia da solidariedade geracional... diminui-se a capacidade empregadora...congelam-se salários e fazem-se desaparecer incentivos de qualquer tipo... aumenta-se o custo de vida... mais e mais...e diz-se que o País está a resolver os problemas do super endividamento e que estamos a sair da miséria e... o País real não existe para esta gente? Em cada dia que passa... esta gente desmerece a portugalidade que diz defender quando... na prática... o que estão a fazer é uma revolução europeia ultra liberal e tecnocrata que visa a plutocracia ou seja o poder dos mais ricos sobre tudo o resto... e os mais ricos de hoje são os mercados económico-financeiros. Assim... não há que admirar a regressão social e política que nos afoga... sobretudo nesta praia lusitana que está a ser a cobaia europeia para o que se tenat impôr nesta Comunidade que é apenas uma mera manta de retalhos. Periga o futuro? Claro. Assim não admira que Alice ande cada vez mais vagarosa sob o peso da tristeza que lhe esfrangalha a alma em cada dia que passa. E já há quem considere não haver motivação para a comemoração do 25 de Abril e até do 1º de Maio: são os que dizem que tudo está morto ou moribundo. Haverá alento neste Portugal para repôr o futuro melhor que todos merecemos? A resposta reside no Povo. O actual clima resignatório e de total ignorância sobre o que se passa... a manter-se... só nos pode condenar a todos à mediocridade para não dizer outra coisa. É urgente perguntar a todos os portugueses: que futuro querem dar aos vossos filhos e netos.Respondam como gente. Resposta ignorantes ou resignadas não dão para nada. É urgente ser gente. Assim nos diz Alice... longínqua como está do País das Maravilhas que tanto nos amaldiçoou porque escondeu o rosto de quantos nos expoliaram das mais valias para proveito próprio ou de grupo e ainda não pagaram a sua crapulice. A Actual governação tenta que as vítimas paguem as culpas dos réus.Não é lógico. Nem moral.Nem ético.Honestos? A História lhes dará a resposta. Por isso é que temem a rua. Por isso é que temem o País real. Por isso é que musculam os elementos da ordem que querem transformar em pretorianos do seu novo regime que de democrático cada vez tem menos alma.Como a Páscoa é tempo de ressurreição... pode bem ser que haja alguma na alma deste Povo e que tenha coragem para enviar para o longe quem agora nos trama.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Impressões digitais de um estranho País ( cont.)

201 - Alice vem abespinhada com as novas televisivas sobre o dia 22 de Março em que o País se confrontou com uma greve geral.Digo-lhe:Não estranhes. Todo o santo dia os noticiários propalaram que a polícia de segurança pública estava preparada para a eventualidade de haver desacatos.Seja como for o M15 dos indignados já deveria saber e estar vigilante quanto a possíveis provocadores que lhes infiltrassem a manifestação.À mais pequene faísca... zás. Porrada com força.Parece haver na governação quem queira colorir à grega este País. Para dizerem que... nós cá tratamos-lhes da saúde!...Sabes o que te digo? Pobre País... Pobre Democracia que precisa de mostrar tiques de ditadura.São anacrónicos. Depois tivémos que aturar a proibição de obter dados e da necessária recolha. O governo limitou-se a dizer: no fim do mês faremos análises.Sobranceria? Óbvio.Depois houve ameaças...veladas ou não...para demover gente de aderir à luta geral.Claro... o Primeiro dos Ministros até veio dizer que uns eram bons e outros... maus. os primeiros, eram os que foram trabalhar e não aderiram. os outros, claro, os que aderiram. Isto apesar de todo o respeito que ele diz ter pelas lutas democráticas dos cidadãos.Depois vem o congresso do PSD:obviamente... tudo está a correr sobre rodas... há uma revolução tranquila... o povo está a compreender toda a austeridade que o vai sufocando para bem do País...culpa de tudo isto apenas um... PS...claramente.É caso para perguntar em que País é que vive o snr. Passos Coelho e o seu propagandista Miguel Relvas.Sabem que a contestação social vai subindo de tom. Tudo depende do que bate à porta de cada português. Hoje mesmo anuncia-se mais um fechop de portas: apenas o Jumbo de Santarém. Cem pessoas condenadas ao desemprego.Ora... pensando bem todos os snrs do PSD e do PS e até do CDS que... desde o governo do prof. Aníbal... andaram a esbanjar dinheiros públicos e a utilizá-los quer a nível pessoal quer a nível de grupo... são as mesmas que nos querem dar receitas para sair da crise e acham muito bem que seja o povo a pagar tudo o que eles fizeram... de mal. Há lógica nisto? Claro que não. Precisamente por não haver é que se fazem demonstrações de músculo como no dia 22 em que nem os jornalistas foram poupados.Pena mesmo é que todo um País não saiba dar a resposta consentânea com tais diatribes. Quem lesa a coisa pública... quem ataca a dignidade de todo um povo... quem expolia um País dos seus principais recursos e lhe nega a possibilidade de desenvolvimento e mente despudoradamente no discurso político que faz internamente... não merece mais do que contestação pura e dura para acabar em desprezo total. A revolução tranquila... snr. Passos Coelho... chama-se traição desavergonhada e torpe contra o seu próprio País.Por mais que queira fingir que se preocupa com o Povo os seus actos e as suas opções dizem o contrário. Todos os dias.Nem o Povo e muito menos Alice aguentam tais desmandos.Um dia darão a resposta adequada.