109 - Enfeitam-se ruas onde Aumentam os sem-abrigo. Das casas e das lojas Escapulam-se vapores De risos e de calor Para as ruas onde Se multiplicam mendigos. Por todo o lado se apela à solidária doação E até há quem ponha na lapela O carimbo de tal confirmação. Todo o Mundo pede alguma coisa a Todo o Mundo. Todo o Mundo dá qualquer coisa a Todo o Mundo. Sacrifícios Ofertas de lágrimas e de risos Pão e tareia Liberdade e prisão Guerra e Paz. Se tudo o que somos Teve por berço milenar um vírus Há algo que pode estar A adoecer Como quem diz A mudar Ou não fosse estranho Tirar a um ser o sol Empurrá-lo para a chuva e o frio E depois Correr a amenizar-lhe A dor e a carência. Há muito de insolvência Nesta coisa que dá pelo nome De ser humano.
110 - Margem sul Ventre de sonhos Rampa de viagens Por entre aragens Nem sempre de mel e medronhos És a mesquita Dos cavalos alados Em viras de sereias Chão que já pouco semeias Onde se levantam outros fados Para bem e mal da nossa dita. Margem sul Senhora dos mil caminhos Pelo mundo espalhados Alcáçovas de poetas-soldados Estrelas aleitando ninhos Margem sul Dos mil caminhos.
111 - Marés à solta Nos mares bravios Pode não ter volta O homem dos rios. Deixada a terra Em recato a chama Compra-se a guerra Nos bordéis da cama. Ondas são sereias Embalo de aventura Palavras são areias Silêncios a sepultura. Quem nos dera A madrugada Que nos lera De cara lavada. Exaustos de tudo Campeões de nada Somos o entrudo Da vida peada. Tanto conquistado Neste mar revolto Agora amarrotado Pelo polvo solto. Volta a servidão Perde a liberdade Canta a opressão Hinos de grade. E o vento mudou E o tempo vai mudando O cravo murchou No medo que nos vai tomando. Povo de tudo esquecido Incensas quem te trai Quando serás de novo erguido Neste mundo que treme e cai?!...
112 - Dedilho auroras Com os pés doridos De tanto caminho Rua frias a desoras Apurados sentidos No mar do verde pinho. Lágrimas são salinas Amantes do sol da manhã Trombeta do novo dia Asas sobre as campinas Pão de mel e romã Gerando nova alegria. Preso és meu irmão Náufrago da ambição Soldado do egoísmo Lava esse teu coração De tanta podridão Filha do narcisismo. Matar o servilismo É destruir algozes De toda a liberdade Amar é todo um sismo Que nos ergue as vozes Contra toda a falsidade.
113 - Mero sopro de vida Somos um dedo de ilusão Folha planando no vento Tão cedo é subida Tão cedo se vê no chão No arado do pensamento. Temos muito hoje Amanhã somos mendigos Ou até sem abrigo Tudo chega tudo foje Entre amigos e inimigos Raro é haver um amigo. Por tudo isto Não se entende o desdém Que mostra o poder Que até insisto Nada é de ninguém E tudo de cada ser.
114 - Com tanto corte Falência Insolvência Fusão Há todo um sem norte Erguendo escravidão. Há todo um sistema Que deserta Da vida aberta E esquece Todo um tema Social que desaparece. Há vida paralela No seio desta gente Que se diz indigente E trama Todo um País que se estatela Em chama. E os velhos vampiros Esfaimados Vêm apressados Pedir mão solidária A todos os suspiros Da pobreza vária. Dar do nada que nos resta É obrigação De cidadão Pois claro Já que não se desinfesta Da rataria este solo raro. É urgente Reerguer o amanhecer Da liberdade Neste continente Da desigualdade.
115 - Não há liberdade Sem dignidade Se cortam esta Aquela jaz diminuída E em tudo o que resta Mais mísera se torna a vida. Para haver liberdade de expressão É preciso haver Liberdade de consciência Total transparência No que é suposto ser Liberdade de opinião. No mundo há Dois modos de reprimir Pelo lado político Onde não falta a prisão Pelo lado económico Onde se ordena a diminuição Dos salários e logo a seguir Das reghras do trabalho E depois exigir A cega obediência Neutralizando a consciência Com doses maciças de receio A que se segue o medo Inestimável recreio Do capital do enredo.
sábado, 11 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Impressões digitais de um estranho País ( cont.)
98 - Em meio da noite Um rosto caminha Com uma rosa no peito Aberto à chuva Aberto à lua Quase fonte plangente A voz sussurra La la-la La La Lalala... Diz quem sabe Que volta da manifestação Que houve na capital do ódio Contra tudo o que Espolia Enfraquece Agoniza O ser humano Contra tudo o que Desassossega Angustia Massacra O sereno espírito Das Nações. Diz quem viu Que tinha na face Um pouco de lágrima Que lhe voou Do olhar magoado E mesmo assim Leve Levemente Sorria Com a placidez dos cisnes. Para onde foi Não o sabemos Mas há qualquer coisa Que me sussurra Que se oculta Dentro de mim Dentro de ti Dentro de nós.
99 - Exausto canto Todo um pranto De partir Nesta estrada Onde tudo é nada E muito sentir. Da terra ao mar Um céu grande e voar Para sorrir Nesta contenda Em que o real vira lenda De fugir. Em cada ser um olhar Orvalho de beijar E de ouvir Marulho de águas Combate de mágoas Uivo a latir. Gente que marcha e avança Sem perder esperança De sorrir Deitando borda fora Tudo que mal faz agora E construir Tempo novo Querer de um Povo A esgrimir Lua-cheia de amor Sangue força e suor Levantar o porvir. Ó gentes de tanta terra Erguei a Paz e não a guerra Para florir Todo um novo ser Que nos faça alvorecer E não cair.
100 - Ondas do mar profundo Enormes como o mundo São as marés da vida. Rumorejo do silêncio salino Grande birra de menino Que olha o sol No cume da lida. Quem nos dera quem me dera Ser água e sal e onda Beijo profundo quimera E ter estrelas a fazer a ronda. Tudo é pequena e grande luta Nesta eterna e vã labuta De querer eternizar Cada sopro ou cada grito Saudades de um infinito Que pudesse ou nos quisesse amar. Ah quantos se aventuram Nas ondas do mar e furam O corpo que quase é muro Enfeitiçados das sereias Conquistadores de ameias Pássaro que quiz ser duro.
101 - Vieram de longes terras Desbravar o tempo velho Nunca quiseram guerras Só suavizar este relho. No peito eterna chama No olhar a emoção Do querer que por tanto ama com toda a febre do coração. Migrantes de muitas mátrias Convergindo na Praça maior Onde o alarido das pátrias Esfria e vence o amor.Quando ai quando poderemos sonhar Um tempo sem orfandade Onde tudo seja um cantar De profunda irmandade?!
102 - Quando quem vai ao leme Não ouve não entende não respeita O protesto da multidão Que lhe condena a opção Cedo ou tarde será verme Sofredor de ignóbil maleita. Bem que pode atirar Com todos para o abismo E depois inventar inimigos Que os próprios amigos Serão os primeiros a acusar De demente o seu snobismo. Ouvir os Povos é saber milenar Que ultrapassa a história E ousa a coragem De renovar a aragem De saber voar Para lá da memória. Quem o não fizer Vai na barca do inferno Já dizia Mestre Gil Que o nobre é vil Quando não quer ver O mal que faz Ao seu interno.
103 - Palavras são voos de aves Que traçam luminiscências Onde o silêncio imp+era Por vezes são as caves Onde se perdem existências Que o poder desespera. Pela baixa-mar Os mangais cravam raízes No indecifrável lodo Neste ódio-amor Que relaciona países Ador e o ouro são um bodo. Por entre a fragrância dos pinhais Nasce o sol e muito se levanta Nesta bolha azul que borbulha no espaço A fé e o querer São catedrais Onde encontramos a manta Que nos conforta no seu regaço.
104 - E agora já sabes dizer O que está bem O que está mal Neste tempo de incertezas Quando ouves as certezas Dos que teimam fazer-te crer Que o bem é o teu mal E o mal é o teu bem. E agora não tens desculpa Se voltares a dar O teu apoio a quem te traíu E te arrasa de culpa Para justificar Quanto te roubou Em nome do Povo Que nunca serviu.
105 - Tanta miséria Material e imaterial!... Tanto barco sem remo Que à luz sidéria Tudo é natural... Quem me dera escrever Nos muros das cidades A palavra sol E que pudesse ver A partir daí as idades Em arrebol E tudo se incendiasse Rio que perfeito nos amasse E levasse Para o mais que perfeito Mas acabo sempre sem jeito Olhando todas as travessias Esperando apenas ver Quanto me sorrias Num simples amanhecer E eu escrevendo O que apenas ía lendo Na tua respiração Meu amor meu coração Infinitamente Mundo!...
106 - Ecoam pela urbe as palavras Maior flexibilidade laboral: Há rugas maiores Na cidade. Receios Angústias Medos. Todos percebem: Querem-nos peões Dos seus jogos de azar Na roletas dos negócios Dos interesses Da elite burguesa. Nas suas arengas Repetem credos aos Povos E estão-se nas tintas Para velhos e novos. As ruas passam a famintas? Importante é que fiquem acesas Que eles temem as sombras E as trevas. Têm que passar E não ver Um movimento sequer Contra si próprios. Têm que reinar. O resto pode bem penar. Eles que hoje se julgam no céu Breve estarão no embarque Da barca do inferno. Pelo meio Vão triturando tudo Como convém Ao grande Entrudo.
107 - Há todo um mundo a ruir. A visão ocidental da vida está a decair. A visão social do mundo está a cair. A hidra do lucro e da ambição Está a secar a raíz social. Corromperam-se os senhores do mundo. Os povos perdem a noção do justo e do injusto. Tudo lhes parece igual. O poder surge imundo. Tudo é caos inevitável. A economia sobrepõe-se à vida. É urgente tornar tudo mais transitável. Recolocar a vida Em primeiro lugar. De contrário... o horizonte da extinção É demasiado preponderante. O dano sempre foi bem falante. Insidioso. Cativante. Mas nunca deixou de ser Impiedoso. Quem opta por tal Destrói toda e qualquer Filosofia social.
108 - Na roda da solidão Há ventos estranhos Que sopram de longe Marchetando as praias Querendo quebrar O que somos. Querem-nos sem abrigo Numa Europa Em que a lógica Ainda é de senhores e de vassalos. Pobres suseranos: quanto mais fragilizarem Vassalos e outros peões Mais frágeis serão E de tanto espalharem danos Pouco mais terão Do que alçapões Onde um dia cairão.
99 - Exausto canto Todo um pranto De partir Nesta estrada Onde tudo é nada E muito sentir. Da terra ao mar Um céu grande e voar Para sorrir Nesta contenda Em que o real vira lenda De fugir. Em cada ser um olhar Orvalho de beijar E de ouvir Marulho de águas Combate de mágoas Uivo a latir. Gente que marcha e avança Sem perder esperança De sorrir Deitando borda fora Tudo que mal faz agora E construir Tempo novo Querer de um Povo A esgrimir Lua-cheia de amor Sangue força e suor Levantar o porvir. Ó gentes de tanta terra Erguei a Paz e não a guerra Para florir Todo um novo ser Que nos faça alvorecer E não cair.
100 - Ondas do mar profundo Enormes como o mundo São as marés da vida. Rumorejo do silêncio salino Grande birra de menino Que olha o sol No cume da lida. Quem nos dera quem me dera Ser água e sal e onda Beijo profundo quimera E ter estrelas a fazer a ronda. Tudo é pequena e grande luta Nesta eterna e vã labuta De querer eternizar Cada sopro ou cada grito Saudades de um infinito Que pudesse ou nos quisesse amar. Ah quantos se aventuram Nas ondas do mar e furam O corpo que quase é muro Enfeitiçados das sereias Conquistadores de ameias Pássaro que quiz ser duro.
101 - Vieram de longes terras Desbravar o tempo velho Nunca quiseram guerras Só suavizar este relho. No peito eterna chama No olhar a emoção Do querer que por tanto ama com toda a febre do coração. Migrantes de muitas mátrias Convergindo na Praça maior Onde o alarido das pátrias Esfria e vence o amor.Quando ai quando poderemos sonhar Um tempo sem orfandade Onde tudo seja um cantar De profunda irmandade?!
102 - Quando quem vai ao leme Não ouve não entende não respeita O protesto da multidão Que lhe condena a opção Cedo ou tarde será verme Sofredor de ignóbil maleita. Bem que pode atirar Com todos para o abismo E depois inventar inimigos Que os próprios amigos Serão os primeiros a acusar De demente o seu snobismo. Ouvir os Povos é saber milenar Que ultrapassa a história E ousa a coragem De renovar a aragem De saber voar Para lá da memória. Quem o não fizer Vai na barca do inferno Já dizia Mestre Gil Que o nobre é vil Quando não quer ver O mal que faz Ao seu interno.
103 - Palavras são voos de aves Que traçam luminiscências Onde o silêncio imp+era Por vezes são as caves Onde se perdem existências Que o poder desespera. Pela baixa-mar Os mangais cravam raízes No indecifrável lodo Neste ódio-amor Que relaciona países Ador e o ouro são um bodo. Por entre a fragrância dos pinhais Nasce o sol e muito se levanta Nesta bolha azul que borbulha no espaço A fé e o querer São catedrais Onde encontramos a manta Que nos conforta no seu regaço.
104 - E agora já sabes dizer O que está bem O que está mal Neste tempo de incertezas Quando ouves as certezas Dos que teimam fazer-te crer Que o bem é o teu mal E o mal é o teu bem. E agora não tens desculpa Se voltares a dar O teu apoio a quem te traíu E te arrasa de culpa Para justificar Quanto te roubou Em nome do Povo Que nunca serviu.
105 - Tanta miséria Material e imaterial!... Tanto barco sem remo Que à luz sidéria Tudo é natural... Quem me dera escrever Nos muros das cidades A palavra sol E que pudesse ver A partir daí as idades Em arrebol E tudo se incendiasse Rio que perfeito nos amasse E levasse Para o mais que perfeito Mas acabo sempre sem jeito Olhando todas as travessias Esperando apenas ver Quanto me sorrias Num simples amanhecer E eu escrevendo O que apenas ía lendo Na tua respiração Meu amor meu coração Infinitamente Mundo!...
106 - Ecoam pela urbe as palavras Maior flexibilidade laboral: Há rugas maiores Na cidade. Receios Angústias Medos. Todos percebem: Querem-nos peões Dos seus jogos de azar Na roletas dos negócios Dos interesses Da elite burguesa. Nas suas arengas Repetem credos aos Povos E estão-se nas tintas Para velhos e novos. As ruas passam a famintas? Importante é que fiquem acesas Que eles temem as sombras E as trevas. Têm que passar E não ver Um movimento sequer Contra si próprios. Têm que reinar. O resto pode bem penar. Eles que hoje se julgam no céu Breve estarão no embarque Da barca do inferno. Pelo meio Vão triturando tudo Como convém Ao grande Entrudo.
107 - Há todo um mundo a ruir. A visão ocidental da vida está a decair. A visão social do mundo está a cair. A hidra do lucro e da ambição Está a secar a raíz social. Corromperam-se os senhores do mundo. Os povos perdem a noção do justo e do injusto. Tudo lhes parece igual. O poder surge imundo. Tudo é caos inevitável. A economia sobrepõe-se à vida. É urgente tornar tudo mais transitável. Recolocar a vida Em primeiro lugar. De contrário... o horizonte da extinção É demasiado preponderante. O dano sempre foi bem falante. Insidioso. Cativante. Mas nunca deixou de ser Impiedoso. Quem opta por tal Destrói toda e qualquer Filosofia social.
108 - Na roda da solidão Há ventos estranhos Que sopram de longe Marchetando as praias Querendo quebrar O que somos. Querem-nos sem abrigo Numa Europa Em que a lógica Ainda é de senhores e de vassalos. Pobres suseranos: quanto mais fragilizarem Vassalos e outros peões Mais frágeis serão E de tanto espalharem danos Pouco mais terão Do que alçapões Onde um dia cairão.
domingo, 21 de novembro de 2010
Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.
93 - Levantemo-nos do chão!... Caídos sabemos que o céu Nos chama Há que erguer Há que ousar Há que voar Mais longe Do que o tempo Nos quer deixar. No chão deixamos a sombra Do que fomos Passo a passo Pulso a pulso E só dura O vento de um sopro Memória que gostaríamos Contínua. Do chão erguidos Seremos a recusa De tudo o que nos abusa De tudo o que nos trai. No chão Não teremos mais Do que o desfalecimento De tudo o que cai.
94 - Se a mão flutuasse Quando só pintasse O céu e o mar E tudo o que se arrastasse Assim elevasse O verbo seria amar. Dar asas ao vento é Brincar com os astros E sorrir Viver é acto de fé Tirar urtigas de alabastros E florir.
95 - Tu que levedas vidas Nesse teu ventre Desde que o humano ser Se afirmou Olha-te bem e procura O que não foi feito O que foi mal realizado Para que o mundo seja tão cruel. Tu que à vida dás outras vidas Tu que as amamentas Acarinhas Alimentas Corpo e espírito Tu que lhes moldas o ser Mais do que a carne Pensa bem no que é urgente mudar Para que o mundo se firme mais Amor perfeito.
96 - Porque o pão escasseia Em tanto mundo Quaqndo o mundo é obeso de fortuna?! Porque tanta criança Não tem brinquedo Mas é farta de trabalho e guerra?! Porque tanta doença Mata tanto mundo Quando o mundo É sábio de tanta cura?! Porque tanta terra Agoniza e morre de sede Quando a terra Tem tanta água doente?! Pela ambição de uns E a covardia de todos?! Quando aprenderemos A fazer florir o tojo Com todo o amor que pomos No florescer da roseira?! A fragilidade Deverá enternecer A nossa fria razão?! Quando marcharemos pela luz Em vez da treva?!
97 - A Nato é o músculo Do neoliberalismo Económico-financeiro. Ambos o caminho certo Para a miséria crescente Dos Povos. Tudo isto não é mais Do que a estratégia Da aranha. A permanente conspiração Do egoísmo Da ambição Sem regra nem lei De uns quantos Que se creem Especiais senhores do mundo. Substituir Nunca. Acabar de vez com os tiranos Sempre! A Paz só depois Poderá triunfar!
94 - Se a mão flutuasse Quando só pintasse O céu e o mar E tudo o que se arrastasse Assim elevasse O verbo seria amar. Dar asas ao vento é Brincar com os astros E sorrir Viver é acto de fé Tirar urtigas de alabastros E florir.
95 - Tu que levedas vidas Nesse teu ventre Desde que o humano ser Se afirmou Olha-te bem e procura O que não foi feito O que foi mal realizado Para que o mundo seja tão cruel. Tu que à vida dás outras vidas Tu que as amamentas Acarinhas Alimentas Corpo e espírito Tu que lhes moldas o ser Mais do que a carne Pensa bem no que é urgente mudar Para que o mundo se firme mais Amor perfeito.
96 - Porque o pão escasseia Em tanto mundo Quaqndo o mundo é obeso de fortuna?! Porque tanta criança Não tem brinquedo Mas é farta de trabalho e guerra?! Porque tanta doença Mata tanto mundo Quando o mundo É sábio de tanta cura?! Porque tanta terra Agoniza e morre de sede Quando a terra Tem tanta água doente?! Pela ambição de uns E a covardia de todos?! Quando aprenderemos A fazer florir o tojo Com todo o amor que pomos No florescer da roseira?! A fragilidade Deverá enternecer A nossa fria razão?! Quando marcharemos pela luz Em vez da treva?!
97 - A Nato é o músculo Do neoliberalismo Económico-financeiro. Ambos o caminho certo Para a miséria crescente Dos Povos. Tudo isto não é mais Do que a estratégia Da aranha. A permanente conspiração Do egoísmo Da ambição Sem regra nem lei De uns quantos Que se creem Especiais senhores do mundo. Substituir Nunca. Acabar de vez com os tiranos Sempre! A Paz só depois Poderá triunfar!
sábado, 13 de novembro de 2010
Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.
86 - Príncipes de nada Somos a marcha da ilusão Craveiros de uma estrada Que esqueceu o coração. Malditos e escorraçados Quando vem a tempestade Difamados e mutilados Em nome da liberdade.Povo Ron povo de caminhos Fragrância do que não quer coleira Somos fogo dos mil ninhos E a dança da comum fogueira. Lemos sinais nas estrelas Nas linhas da palma da mão Queremos avenidas e não vielas E estar de bem com qualquer Nação. Se teimais em nos acossar Muita da vossa liberdade Já foi queimada Algo de profundo está a findar Naquilo que seria terra-mãe civilizada.
87 - Obrigado Excelências Por tudo o que nos tirais As vossas existências São meros funerais. Quando se seca uma raíz A árvore adoece e morre Porque razão um País Pensa viver Quando o rio não corre?! Quem se indigna e se manifesta Para além da rotina Quer salvar o que nos resta Para semear nova vida Pela matina. Obrigado Excelências Por tanta azáfama que mostrais Para que naveguemos Sem escolhos de maior Até ao cais das insolvências Amor pátrio que nos dais Para que não fiquemos órfãos dos nossos ais.
88 - E é vê-los Em desvelos De argumentar Que quem fez os novelos Espera que todos queiram Arregaçar as mangas E dar as mãos Para remar e remar Vencer a porcela Que a vida é bela Mesmo que escanzelada Por culpa de tudo e de nada Que os mandadores Sem lei nem roque São afinal salvadores Das nossas tristezas. Nada de tibiezas Apertamos os custos Por mor das doutas certezas Que nos deram abismos E mil outros sismos Para sermos felizes Mesmo que pensemos o contrário.
89 - É urgente Imperativo Nova ordem mundial Que torne inocente Curativo Viver de modo natural. Tudo é abismo Neste mercado Intenso e global Profundo sismo Que tem trucidado O mundo real. Há muito para salvar Imenso para redimir Muito mais para nascer Se ousarmos amar Se soubermos dividir E sobretudo Renascer.
90 - A miséria humana Reside mais Nos que estrategam Grandes fortunas Grandes impérios Grandes poderes Do que naqueles Que têm que gerir A ausência de tudo. Que seria do mundo Sem os mercados?!... De certeza Menos imundo Que a vida que a vida tem É muito mais Do que este vai e vem Entre a ambição E a resignação E os mercados São os pecados Que todos condenam Enquanto desejam Para porem a coleira e a trela No seu irmão No seu semelhante. Deste modo A raça humana Exibe-se aberrante.
91 - Saca daqui Saca dali É tempo de esmuifrar Até ao tutano Deste Zé-Povinho Sempre indeciso Malandrinho Muito mano No desenrascar Mas pouco preciso No acto de levantar A indignação Com coragem de mudar Salvando a Nação. Ele próprio senhor E não penhor Dos latrocínios Com que muitos têm erguido a sua ração E que o querem servil Para mais facilmente Não fugir do ardil. E assim se enterra Abril.
92 - Ouvi a tua voz Quando a perdera No caudal do tempo. Renovam-se desejos De que o corpo se materialize E nos renove A amizade De um abraço. Mas tudo é casca de noz Vogando no imenso espaço. Quem nos dera Que os voos fossem Uma sinfonia de beijos E os sonhos eterno deslize Onde tudo se move Em liberdade. Prometemos um reencontro Na saliva do mar. Quando? Ambos sabemos Que não sabemos quando.Há imensas naifas Nos corredores da vida Onde nos vão assassinando Nunca de vez E acabamos drapejando Como qualquer aceno Que um dia nos fez sorrir.
87 - Obrigado Excelências Por tudo o que nos tirais As vossas existências São meros funerais. Quando se seca uma raíz A árvore adoece e morre Porque razão um País Pensa viver Quando o rio não corre?! Quem se indigna e se manifesta Para além da rotina Quer salvar o que nos resta Para semear nova vida Pela matina. Obrigado Excelências Por tanta azáfama que mostrais Para que naveguemos Sem escolhos de maior Até ao cais das insolvências Amor pátrio que nos dais Para que não fiquemos órfãos dos nossos ais.
88 - E é vê-los Em desvelos De argumentar Que quem fez os novelos Espera que todos queiram Arregaçar as mangas E dar as mãos Para remar e remar Vencer a porcela Que a vida é bela Mesmo que escanzelada Por culpa de tudo e de nada Que os mandadores Sem lei nem roque São afinal salvadores Das nossas tristezas. Nada de tibiezas Apertamos os custos Por mor das doutas certezas Que nos deram abismos E mil outros sismos Para sermos felizes Mesmo que pensemos o contrário.
89 - É urgente Imperativo Nova ordem mundial Que torne inocente Curativo Viver de modo natural. Tudo é abismo Neste mercado Intenso e global Profundo sismo Que tem trucidado O mundo real. Há muito para salvar Imenso para redimir Muito mais para nascer Se ousarmos amar Se soubermos dividir E sobretudo Renascer.
90 - A miséria humana Reside mais Nos que estrategam Grandes fortunas Grandes impérios Grandes poderes Do que naqueles Que têm que gerir A ausência de tudo. Que seria do mundo Sem os mercados?!... De certeza Menos imundo Que a vida que a vida tem É muito mais Do que este vai e vem Entre a ambição E a resignação E os mercados São os pecados Que todos condenam Enquanto desejam Para porem a coleira e a trela No seu irmão No seu semelhante. Deste modo A raça humana Exibe-se aberrante.
91 - Saca daqui Saca dali É tempo de esmuifrar Até ao tutano Deste Zé-Povinho Sempre indeciso Malandrinho Muito mano No desenrascar Mas pouco preciso No acto de levantar A indignação Com coragem de mudar Salvando a Nação. Ele próprio senhor E não penhor Dos latrocínios Com que muitos têm erguido a sua ração E que o querem servil Para mais facilmente Não fugir do ardil. E assim se enterra Abril.
92 - Ouvi a tua voz Quando a perdera No caudal do tempo. Renovam-se desejos De que o corpo se materialize E nos renove A amizade De um abraço. Mas tudo é casca de noz Vogando no imenso espaço. Quem nos dera Que os voos fossem Uma sinfonia de beijos E os sonhos eterno deslize Onde tudo se move Em liberdade. Prometemos um reencontro Na saliva do mar. Quando? Ambos sabemos Que não sabemos quando.Há imensas naifas Nos corredores da vida Onde nos vão assassinando Nunca de vez E acabamos drapejando Como qualquer aceno Que um dia nos fez sorrir.
Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.
83 - Até quando nos autorizamos A morrer neste vagar De muito amolecer Esperando o que não esperamos Como areia ou pedra na onda do mar? Até quando nos lamuriamos Nesta orfandade da vida Quase saudade De tudo o que desejamos Como utopia arrependida? Raios nos partam Tanta cegueira Raios nos partam Tanta covardia Raios nos partam Tanta bandeira Com que tudo nos atrofia. Há que mudar de bússola Que a que temos já avariou. Tudo o que não liberta pessoas É fraude que não amainou.
84 - Quereis sonhar? Investi na razão Com o coração E sabereis navegar No oceano profundo Por mais tempestades Que afronteis As sabereis deslaçar Construindo de facto Um novo mundo Onde a competição Apenas tem esta auto-interrogação: Quantas mais mãos nos faltam dar Para ganhar Um pouco mais de luz?! Neste real onde perigamos Só ganhamos Treva e dor Por muito que inventemos risos Mascarando o choro Que nos alaga.
85 - Quero ouvir-te dedilhar A vida que somos quando Olhamos sem mastigar O terno clarão do horizonte. Bailando como navegando Saudamos a essência do marCom um génio de um puto Saltitando sobre uma ponte.E nem sequer disputo Qual de nós é a luz Que ilumina tudo o que damos Neste tempo de credo e ai-Jesus Apenas quero ouvir-te dedilhar Nas tranças da lua-cheia Tudo o que somos neste doar A vida que nos incendeia.
84 - Quereis sonhar? Investi na razão Com o coração E sabereis navegar No oceano profundo Por mais tempestades Que afronteis As sabereis deslaçar Construindo de facto Um novo mundo Onde a competição Apenas tem esta auto-interrogação: Quantas mais mãos nos faltam dar Para ganhar Um pouco mais de luz?! Neste real onde perigamos Só ganhamos Treva e dor Por muito que inventemos risos Mascarando o choro Que nos alaga.
85 - Quero ouvir-te dedilhar A vida que somos quando Olhamos sem mastigar O terno clarão do horizonte. Bailando como navegando Saudamos a essência do marCom um génio de um puto Saltitando sobre uma ponte.E nem sequer disputo Qual de nós é a luz Que ilumina tudo o que damos Neste tempo de credo e ai-Jesus Apenas quero ouvir-te dedilhar Nas tranças da lua-cheia Tudo o que somos neste doar A vida que nos incendeia.
Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.
79 - Ignorância Preconceito Receio Três condimentos Necessários à arrogância Com que os conservadores Dominam espíritos.Portugal é conservador. Porque não haveriam de ser conservadoras as suas políticas? Mesmo que dê fome e ranger de dentes Serve-se uma boa açorda de fé E venha o vira mais o malhão. Assim se pensa Navegar para o futuro. Óptima excentricidade turística!...
80 - Há encruzilhadas Onde tudo parece ser Contrário.Há horas em que tudo parece Desabar. Sempre sobre os mais frágeis. Quando os deuses Parecem moucos Os homens afirmam-se Loucos. Onde o raio de esperança Em meio de tanta treva? O egoísmo de alguns Pode matar a solidária vida de outros? Quando tudo se nos desaba Será que algo começa Onde tudo se nos apaga?
81 - Meninas vamos ao vira Ai que o vira é coisa boa...Assim se cantava Nos velhos arraiais nortenhos: Ah que formosas danças Mira Que volteiam a caminho de Lisboa...Assim se narrava Entre o partir de dois lenhos. Como o tempo vai Dá ganas de cantar Vamos todos ao vira ai Que este malhão já farta E de tanto nos fartar Há que dar da despedida A carta. VÊ lá senão te enganas Nesse endereço preciso Se não ainda te esganas Ao quereres dar um só aviso. Toma cautela na escolha De um teu novo par. Grossa ou miúda A chuva molha E molhados Ninguém gosta de dançar.
82 - Aleluia Neste tempo de incertezas Haja Paz e florescimento Das antigas certezas Alicerçadas em novo conhecimento Que viajamos até ao âmago da luz Descobrindo a verdade Em cada gesto Tendo um sonho que nos conduz E a claridade por manifesto. Pela Paz havemos de florir Novo mundo Neste apodrecido Na orla dos mares Havemos de sorrir Saudando amor rejuvenescido. Por mais escolhos que nos deem Novas estradas descobriremos Eles não sabem o que vêem Olhos de fogo com alma de remos.Somos caminheiros da esperança Eternos sonhadores do mais que perfeito A vida é longa e subtil trança De sal e mel e um Sol como peito.
80 - Há encruzilhadas Onde tudo parece ser Contrário.Há horas em que tudo parece Desabar. Sempre sobre os mais frágeis. Quando os deuses Parecem moucos Os homens afirmam-se Loucos. Onde o raio de esperança Em meio de tanta treva? O egoísmo de alguns Pode matar a solidária vida de outros? Quando tudo se nos desaba Será que algo começa Onde tudo se nos apaga?
81 - Meninas vamos ao vira Ai que o vira é coisa boa...Assim se cantava Nos velhos arraiais nortenhos: Ah que formosas danças Mira Que volteiam a caminho de Lisboa...Assim se narrava Entre o partir de dois lenhos. Como o tempo vai Dá ganas de cantar Vamos todos ao vira ai Que este malhão já farta E de tanto nos fartar Há que dar da despedida A carta. VÊ lá senão te enganas Nesse endereço preciso Se não ainda te esganas Ao quereres dar um só aviso. Toma cautela na escolha De um teu novo par. Grossa ou miúda A chuva molha E molhados Ninguém gosta de dançar.
82 - Aleluia Neste tempo de incertezas Haja Paz e florescimento Das antigas certezas Alicerçadas em novo conhecimento Que viajamos até ao âmago da luz Descobrindo a verdade Em cada gesto Tendo um sonho que nos conduz E a claridade por manifesto. Pela Paz havemos de florir Novo mundo Neste apodrecido Na orla dos mares Havemos de sorrir Saudando amor rejuvenescido. Por mais escolhos que nos deem Novas estradas descobriremos Eles não sabem o que vêem Olhos de fogo com alma de remos.Somos caminheiros da esperança Eternos sonhadores do mais que perfeito A vida é longa e subtil trança De sal e mel e um Sol como peito.
domingo, 31 de outubro de 2010
Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.
74 - A lua cheia já passou Numa azáfama de pensageira. Namorou mas não cativou Que graça é ser brejeira. Esperar é desespero Deixar-se surpreender É aventura Por ti espero e nunca espero A sumptuosidade de viver Uma loucura. Amar é ser livre e cativo Disponível ao momento Ser simples humilde criativo Em cada acto e pensamento. Nada é tudo sendo nada Ninguém é dono de um ser Encontro é dádiva esperada Em cada noite futuro amanhecer. Amar é sentir a pulsação Mesmo longe estar dentro e perto Sentir e saber o coração Que pulsa e pensa o encoberto. Adoro o teu corpo e os cheiros Do ser que vive dentro do ser Que me torna pensageiro Nesta realidade de acontecer.
75 - Querem que vá por ali Mas não hei-de ir senão por aqui. O velho Régio Não parecia Mas revoltava-se E teimava Em não ser um pau-mandado Da velha escória lusa. Hoje quantos terão dessa fibra? Dizem sermos um País oceânico. Quem não provou do sal marinho Quem não sofreu sulcos dos cordames Quem não viveu dramas de naufrágios Será capaz De ter de tais fibras? Os cavaleiros da nossa desgraça Litigam com arroubos De namoros de rua. Por mais á E menos bê Teremos todos o destino O fado Que eles dedilham. Esfacelam-se a demonstrar Não haver alternativa. Esquecem-se que somos um País de corridas de toiros. Ao fim de tanto Nos obrigarem a ir por aqui Porque não haveremos de ir por ali? Ah velho Régio o gozo que dá Optar pelo inverosímel?!
76 - Amor Que desejo a meu lado Amor pleno de liberdade Não me deixes muralhado Queimando esperança Em óleo de ansiedade.Nesta estrada tudo é tardança Por mais liças que tenha e persiga Que fazer para ser resgatado Desta arena que me fustiga?! Amor que desenho numa tela Onde se multiplica a solidão Amor que desejo estrela A anunciar ressurreição Não me condenes ao deserto De todo um tempo mais que hostil Menos longe e mais perto Há muito de insurreição Que deseja semear Um novo Abril Em hora do ronco do mar. Amor que quero e espero Nesta fome de abraço e de beijos É pela dor que me supero Com o sangue quente do desejo.
77 - Sarça ardente Primeiro espanto Revelação Dessa voz diferente Profundo canto Inspiração. Memória antiga Que transportamos Por testemunho Do que nos instiga Ao que amamos Vida em rascunho. Criador-criação Tempo-consciência Esperança de melhor Acto em coração Riso-transparência Dura vida em amor. Barco em asas Anjo que nos guarda Indizível amizade Respirar em brasa Inocência que brada Tudo é liberdade. Galáxias-oceanos Planetas-aldeias Bocejos-eternidade Mãos francas que damos Para vencer sereias Que escondem tempestades. Somos eco do profundo Grito do movimento Que acha o desconhecido Eterno mundo do mundo Que dizemos pensamento Sangue-vértebra Do esclarecido.
78 - De cada vez Que se abre uma porta Outra logo nos desafia Nada é de vez Nada se importa Com o inseguro Que se nos cria.Sonhos são esboços Do que imaginamos Construir e ser verdade Podem ser poços Onde com sede Nos afogamos Sem que se solte liberdade.Vamos ao sabor Das nossas ilusões Até que os olhos se cerrem Carregados de dor E poucos corações Até que nos desterrem. Pétala a pétala a flor É o momento da vida Respirado e bem suado Se lograr amor Terá renascida A vida de cada passo dado.
75 - Querem que vá por ali Mas não hei-de ir senão por aqui. O velho Régio Não parecia Mas revoltava-se E teimava Em não ser um pau-mandado Da velha escória lusa. Hoje quantos terão dessa fibra? Dizem sermos um País oceânico. Quem não provou do sal marinho Quem não sofreu sulcos dos cordames Quem não viveu dramas de naufrágios Será capaz De ter de tais fibras? Os cavaleiros da nossa desgraça Litigam com arroubos De namoros de rua. Por mais á E menos bê Teremos todos o destino O fado Que eles dedilham. Esfacelam-se a demonstrar Não haver alternativa. Esquecem-se que somos um País de corridas de toiros. Ao fim de tanto Nos obrigarem a ir por aqui Porque não haveremos de ir por ali? Ah velho Régio o gozo que dá Optar pelo inverosímel?!
76 - Amor Que desejo a meu lado Amor pleno de liberdade Não me deixes muralhado Queimando esperança Em óleo de ansiedade.Nesta estrada tudo é tardança Por mais liças que tenha e persiga Que fazer para ser resgatado Desta arena que me fustiga?! Amor que desenho numa tela Onde se multiplica a solidão Amor que desejo estrela A anunciar ressurreição Não me condenes ao deserto De todo um tempo mais que hostil Menos longe e mais perto Há muito de insurreição Que deseja semear Um novo Abril Em hora do ronco do mar. Amor que quero e espero Nesta fome de abraço e de beijos É pela dor que me supero Com o sangue quente do desejo.
77 - Sarça ardente Primeiro espanto Revelação Dessa voz diferente Profundo canto Inspiração. Memória antiga Que transportamos Por testemunho Do que nos instiga Ao que amamos Vida em rascunho. Criador-criação Tempo-consciência Esperança de melhor Acto em coração Riso-transparência Dura vida em amor. Barco em asas Anjo que nos guarda Indizível amizade Respirar em brasa Inocência que brada Tudo é liberdade. Galáxias-oceanos Planetas-aldeias Bocejos-eternidade Mãos francas que damos Para vencer sereias Que escondem tempestades. Somos eco do profundo Grito do movimento Que acha o desconhecido Eterno mundo do mundo Que dizemos pensamento Sangue-vértebra Do esclarecido.
78 - De cada vez Que se abre uma porta Outra logo nos desafia Nada é de vez Nada se importa Com o inseguro Que se nos cria.Sonhos são esboços Do que imaginamos Construir e ser verdade Podem ser poços Onde com sede Nos afogamos Sem que se solte liberdade.Vamos ao sabor Das nossas ilusões Até que os olhos se cerrem Carregados de dor E poucos corações Até que nos desterrem. Pétala a pétala a flor É o momento da vida Respirado e bem suado Se lograr amor Terá renascida A vida de cada passo dado.
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