terça-feira, 19 de outubro de 2010

Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.

63 - Na roda do fogo Deste andar na vida Há um larvar encanto Que nos treme e maravilha. Dizer até logo É ter chegada na partida Penteando um canto Barco que desvenda a ilha. Que novas há nos teus olhos Quando voltas e me visitas Com tanta e toda esta ternura De um cais que me segura e abriga?!... Há flores cardos e abrolhos Pedras soltas frases ditas Momentos de aventura Onde apenas cabe mão amiga.

64 - Somos todos pessoas de bem Dizem os que espoliam os Povos de tudo. Somos muito honestos Pragmáticos pelo bem empresarial Dizem os que decretam Salários baixos e despedimentos A bem da competição. Somos muito esforçados na defesa dos Países Dos ataques dos mercados Dizem os que autorizam a asfixia dos seus Povos. Será que os manuais da criminologia Estão consentâneos Com o mundo de hoje Ou este mundo é mero expectante Do descaro total?!...

65 - Tudo o que de bom fores destruindo Ou consentindo No seu desmantelamento Dificilmente o verás ressurgir Do caos gerado pela destruição.

sábado, 16 de outubro de 2010

Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.

61 -Tange o teu violão Alma serena Desta água que nos lava De toda a mágoa Neste coração Soprador de avena No cântico De uma praça maior Onde os sorrisos Florescem pessoas Que vêm do longe Famintas de amor. Aqui se encontram Aqui se lavam De todo o pavor Que as fez virar costas Aos seus servidores Que se proclamaram senhores Para os assaltar E humilhar. Que serão eles Sem estas pessoas? Loucos que se esganam No seu próprio labirinto. Urge virar costas Aos que nos tramam a vida.

62 - Quem trabalha é Trabalhador. Porque será que trabalhador é Quem trabalha a dor?!...Conceitos!... Cada profissão é Uma arte Uma especialização. Uma profissão Nunca poderá fazer de alguém Dono de outrém. Porque será Que certas profissões Julgam-se senhorios dos outros?...Absurdos!... Entre estes conceitos e absurdos Medeia o tempo de liça Em vez de um tempo de encontro. O problema É que o tempo de liça É a fulgurância Abundante Da estupidez Que ainda por cima É ceguinha de todo !... Chiça!...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.

55 - Transformação: Para lá da formação. Algo que ultrapassa O existente. O que é. Será este O tempo que respiramos? Pela nova consciência ambiental Pela nova consciência científica Pela nova consciência cultural Pelo novo saber tecnológico Há muito de transformista. Tudo o mais é A velha rábula do Naufrágio: Todos sabem que vão cair ao mar.Uns vão ter lugar nas balsas Outros nem tanto. Uns quantos Tentam levar o máximo das riquezas Mesmo que comprometam A sua salvação E a dos outros.Seja como for A vida tem destas coisas. O certo é que o novo Nada tem a ver com o velho E neste entretanto Novos e velhos Amargam o pão e a cama De cada dia Mas não param A transformação.

56 - O mundo Em que nos formataram Está a desfazer-se. Já não existe. Já Camões cantava: Todo o mundo é feito de mudança... Hoje mais célere Do que antanho. A mesma economia A mesma justiça A mesma medicina Entre outros Já não detêm respostas Para o novo que aí está. A democracia Exige a democratização De todos os sectores do conhecimento. Impede o lucro por inteiro Nas arcas de alguns. Exige a mobilização de cada indivíduo Para o êxito comum. Tudo isto exige um humano novo. Menos preconceito. Mais clarividente. Mais culto Na diversidade que a sabedoria é. Mais tolerante. Mais ponderado. Sobretudo: uma humanidade que não se dispute Para que possa disputar A vida que sendo finita Deverá ser preservada Acarinhada Para que seja menos finita. E porque ninguém é dono de nada Sendo todos donos de tudo Têm direito Ao melhor da vida. E este melhor Será por acaso e tão só Questões materiais? O excesso de materialismo Não adoeceu o mundo Que se asfixia em crises sucessivas? Não foi a ganância Quase infinita De alguns Que nos está a cilindrar a todos? Se o povo anónimo Se levanta em protesto Não será para pôr em evidência e cobro a tudo isto? Quem somos O que queremos Para onde vamos?

57 - Os predadores não desarmam. Mesmo que não aboquem Dilaceram Rasgam Pelo prazer que têm Em destruir Quem lhes faz frente. Silêncio A arma dos inocentes. Se o silêncio convergir E se tornar rio E se transformar em mar-oceano Os predadores Não temem? França converge em greves sucessivas Indeterminadas nos prazos. Jovens entendem a luta sénior E cerram fileiras. Os predadores não tremem? Neste Portugal em ocaso Onde estão as forças Deste silêncio que marcha Farto de ser Espezinhado Nunca ouvido Com carícias eventuais de mero interesse? É urgente acordar. É urgente erguer o silêncio Que tanto tem hesitado E nunca melhorado. É urgente Mostrar a vontade de erguer de vez A liberdade. Com toda a dignidade Que o silêncio é capaz de assumir: Levantar um muro de gente E escrever Com aparo de multidão Este berro Este grito: BASTA!

58 - Canção à vida No Chile dos mineiros. Soterrados na mina. Dois meses. Trinta e um homens. A terra libertou-os Pela teimosia do mundo De todos. Canção à vida Prova de que a humanidade é Uma família E que só se salva Quando todos dão as mãos Unindo vontades Almejando cada propósito comum. Guerras Invejas Ambições Egoísmos Ante esta canção à vida São a evidência Da estupidez. Cantemos Como no Chile dos mineiros SEMPRE!...

59 - Amar: para o mar. Para o ventre da vida. Para o âmago da vida da Vida. Doação. Pela disponibilidade Da aceitação Do encantamento Da crença Do querer. Amar um ser É pouco sendo muito. Amar tudo o que a vida é É todo Sideral. Amar a multiplicação É dádiva em aceitação. Amar a criação é Sincronização perfeita Caminho Para a simbiose plasmática Com o todo sideral. Por enquanto Somos mera vaidade Da insignificância.

60 - Senhor Povo: Que chamais a quem rouba A quem extorque O que pode e o que não pode A outrém Para benefício próprio E de seus amos ou amigos?... Criminosos?...Elevais à justiça?... Porque esperais Ante quem vos expolia de tudo E até da alma?...

domingo, 10 de outubro de 2010

Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.

50 - Pedem-nos Responsabilidade. Solidariedade. Cultura. E vai de roda. Diferentes. Amigos. Tolerantes. Há que dar a volta A tanto absurdo. E vai de roda. Correntes. Inimigos. Feirantes. Farsantes. Tudo o que vê milagres No cavalgar dos Povos Pede aos Povos O que lhe sacou.Para evitar naufrágios. Dizem com o ar mais beatífico possível. E vai de roda. E vira que vira e torna a virar E acaba tudo num grande Enormissimo malhão. Freme o coração Com tanto volteio De incerteza. E o mar Será esteio De futura riqueza ?!...

51 - Das escamas piscícolas Há quem faça flores. Das escamas sáurias Há quem faça sapatos malas cintos. Que faremos da pele hominídea Que os governos tanto se esmeram em tirar ?!...

52 - Chiu!... Nós os banqueiros Nós os economistas Nós os gestores Nós os que governamos o mundo Dos negócios Da política Das religiões Declaramos: Inventámos um mundo permissivo Demos uma espiral de fortuna A muitos E tudo isto acabou Teia-de-aranha Para quase todos. Chiu!... Agora Solicitamnos A vossa solidariedade Compreensão Resignação Para que useis a tanga No corpo e na vida E que muito bem vos fica Para que possamos endireitar Todo este caos Caldo suculento Dos ricos dos ricos E concerteza Que um dia destes Vos mostraremos Um mundo melhor O dos resplandecentes Sempre servidos Pelos baços-cinzentos. Crede: bom será para todos Que este seja o futuro De contrário Nada terá piada Como facilmente compreendereis !... Chiu!...

53 - Ah Como rolam Rebolam Nas suas ansiedades Os escaravelhos!... Como todos Os que pisam passeios Asfaltos Escadas De pedra madeira ou rolantes Por dentro do chão Por cima do solo Dentro e fora dos edifícios Longe e perto das nuvens Andam Param Correm Com fome e sem ela Absortos de fêmeas e de machos Crentes e descrentes De deuses e de santos Mendigos de tudo Pedintes de nada Mais governados do que Governadores Menos livres Mais escravos Das banmcas e dos patrões Plenos de raivas Com parcas chamas Para romper Com as cangas da Sereníssima Ordem Que os vampiros mantêm Para que não lhes seque O sangue vivo Das manadas. Ah O bom de ser escravo É admirar o seu senhor!...

54 - Amoreira Amor na eira Livro por abrir Ainda Que muito venha ferir Para florir Para sucumbir Para dormir Para sorrir Meu deus Como um adeus Bem visto é Um ir para deus Segundo o tear ancestral Que trabalha em Portugal Para que se não diga Que a voz amiga Pode também Ser inimiga Aqui e além Onde tudo se rediga.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Impressões Digitais de um estranho País ( cont.)

38 - Um espirro Ecoa na rua. Um cão Chora ausência. Um esbirro Algures amua Por quase não ter assistência. Não nos falta demência No decidir de cada momento. Pouca é a transparência No esgrimir do pensamento. Assim vai Assim anda Assim roda Assim cai Vexas politiqueiras Alta roda Baixa roda Merda para tanta boda Que tresanda A farras batoteiras. Quem foi que disse Quem foi que fez Tanta aldrabice Em português ?!... Um saleiro de brincar Um pimenteiro de fingir... Tudo pode melhorar Se o Povo não dormir.

39 -Somos a música das ruas Nesta pauta do trabalho Sete sóis e sete luas Para pão e agasalho. Há medo nos labirintos dos crâneos. Uns querem tudo Outros batalham Por quase nada. Dar dinheiro aos povos Abre janelas de esperança. Quem isto não quer Apenas entende sofreguidão Tubarão que de tanto explorar Não vê Quanto solo está a secar.

40 - Tudo parece desabar Neste Portugal a olhar Todo um horizonte Prenhe de marés e de sal. A vida para uns a minguar Para outros a ponte Para um tempo de carnaval. Há todo um tempo de trincheira.Quem é capaz de o cumprir? Tu que pareces andar a dormir Fazes do teu sangue a bandeira? Será que queremos viver Ou apenas sobreviver? Seremos capazes de renascer Arrancando o joio de tudo O que somos?

41 - Acende a luz No pleno do corpo De tanta escuridão. Semeia de verde O que agora se atulha De cimento. Na vida nada se perde Tudo se transforma Com muita bulha E estouvamento. Porém tudo nos conduz Para um pulsar simples De pequeno coração!...

42 - Rio de estrelas Leito de ervas Sopros de alecrim E de rosas Caminhos de aves Caminhos de fontes Auroras de chilreios Silêncios e volteios Ígneas borboletas Rasgando nos montes Fábulas amorosas Águas e suas caves Catedrais belas Prenhes de cores Geniais servas De todas as pontes Tempo de pulsar De ouvir e de olhar E resplandecer Ouvindo o mar A amanhecer Que tudo o mais Ficou no olvido Pó de temporais Das coisas irracionais Loucas e sem sentido Que quase nos fulminaram E tanto conjuraram Para destruir O que pensavam Construir. ( Já chegámos Ou vamos a caminho?).

43 - Não. Não vamos a caminho De milagres. Caminhamos Para fogueiras. É tempo de vinho. Bebido entre rochas Ao clamor do mar Em Sagres. Destemperamos bandeiras. Sofremos o arfar Das mil contendas. Saudades Das mouras tendas E suas liberdades. Há um grito de guerra No ar Escasseia terra Para amar. Abunda terra Para odiar. Calafetados De silâncios. Gretados Por mil salinas. Há que levantar Corcéis. Divagar Entre bordéis. Não pensar mais. Há que decidir. Não deixar o Povo dormir. Desfraldar um novo porvir. Assassinar a doença Que nos mina. Acabar com a malquerença Que nos fina.

44 - Encostar Povos às paredes Não é tempo novo Antes grilhetas e redes. Povos São ovos De liberdade. De dignidade. De crenças-sorrisos. De balbúrdias e sisos Onde definhar É proibido. Se nos estão a minguar Haverá que dar lugar Ao recém-nascido. E das mil fogueiras Onde nos queimam a vida Levantemos bandeiras De esperança nascida. Encostemos à parede Quantos nos roubam E atrofiam. Haja uma voz Num só corpo Um Povo Todos nós Uma vontade De ter de novo liberdade De inventar Um caminho Que mesmo sendo mar Possa ser vinho De um amor Tão solidário Que dê ao suor O signo comunitário Que erga a dignidade De quantos desejam Humanidade No simples acto de viver.

45 - O tempo do nosso anonimato Transforma-se em ultimato À nossa simplicidade À nossa humildade A todo o nosso desassossego Em que este ter Ou não ter emprego Nos faz perecer Mais do que alvorecer. Ainda me pedes Para ter saudade Do teu corpo E dou por ela Submersa Na ansiedade Controversa Com que saudamos Os dias que suportamos. Para onde emigraram As nossas triviais alegrias ?

46 - Sentado No muro da brisa Trauteando o luar A serpente do rio Rastejando Ao fundo Murmurejando Até ao mar Cismo Na vida possível Interdita Pelo governo Que se esmiufra A explicar Que nos esgana O quotidiano Para nosso bem E da Nação E o quotidiano A ficar sem pulsação E a malta a temer O pior do pior Que já tem E a malta a tremer Mesmo que refile E mostre que está rija E luta Pela esperança De travar a desesperança E pensar Que era melhor Qualquer coisa Com mais amor Para com quantos Mais sofrem Agruras de vida E por arrasto Para todos os outros Menos é claro Para os cleptómanos Que governam Ou querem governar As nossas vidas Já tão puídas E esmiufradas Esqueléticas Tanta é a aneroxia Com que nos banham E nos apanham Com falas e redes de receio Até que nos mijamos Pela falta de ar Nas algibeiras E que ainda não chega E querem sacar mais Para bem da Nação Para nosso bem E a estranja goste de nós E nem temem Que a malta vá para a rua Gritar Como cantava o Zeca Porque nos creem pacíficos Compreensivos Parvos diremos nóa. Será assim ou Resolveremos ser gente a sério?

47 - Nos cem anos republicanos Recordo falas da bisavó A aristocrata que se viu De casa cercada Pela tropa monárquica E até lhes deu de comer Que o marido era republicano E clandestino Sem que ela lhesoubesse Paradeiro ou destino Até que mataram o rei E o belo do Luís Filipe Príncipe herdeiro E a casa ficou sem cerco E a república foi proclamada E o marido voltou E ela Sempre discreta Assistiu às vinganças Dos vencedores Até que o marido partiu de novo Para negócios que tin ha No brasil republicano E quando voltou Trouxe doença rara Que ela cuidou Até que ele partiu E ela viúva se viu Com dois filhos entroncados E nunca mais casou Assistindo apenas Ao fazer e desfazer da vida e dos sonhos Do seu País.

48 - Não digas sonho Em tempo de pesadelo Sonha apenas Para que o teu dia Seja um pouco mais belo.

49 - Imensas As candeias Imensos Os mestres Se pensas Hasteias Consensos Terrestres.

sábado, 25 de setembro de 2010

Impressões digitais de um estranho País (livro em construção) Comt.

27 - Há pranto No riso Que planto No siso de cada canto Há luz No parto Que conduz Ao quarto De cada manto ... Assim cantarolava Na noita fusca O vento Que madrigava Um pensamento De olhar e busca E tudo Se entornava Como entrudo Que passava À cata Do tear da vida Tempo de subida Tempo de descida Ai gata Que ronronas Quero lá saber De tanto desfazer Que humana gente Treme e sente Sendo ela autora Da força motora Da sua tristeza Que vira alegria Concerteza Ao nascer do dia Que lavra Todo um tempo Da palavra!...

28 - Pinto Um mar de absinto Onde barcos de fogo Desenham viagens Paisagens Colagens nesta que temos Por decifrar. Faltam-nos remos. Oiço gritar. Como ajudar Quem navega No alto mar?!... Espanto Quase pranto Por quem possa naufragar. Quem viaja Segue missão Foge da prisão Ou apenas recreia E se penteia Para agradar Ai vento Que ondula o mar Meu pensamento Que se incendeia Ao ver Que rareia Tanta terra Aos que guerreia Por pão. Tic-tac-tic-tac... Freme Aflito Coração Em grito.

29 - Consumo Fio de prumo Desta mercancia Global. Afinal É só fumo Nesta selvajaria Mundial. Os povos tremem Gemem Querem apenas Pão e alegria fartos de penas Querem harmonia Para inventar Estrelas no mar E dançar E voltear Entre chilreios de aves e águas Que escrevem passeios Sacudindo mágoas Para longe Deste perto Onde um monge De peito aberto Agradece à luz Toda a simplicidade E a verdade Da humildade de saber Que nascer Anuncia o morrer Como oferta Da descoberta De sermos apenas Um verso Que acrescenta Melodia Ao universo.

30 -A liberalidade Ataca. Farta de contemplações sociais. Saudosa de ter sido Revolucionária Há dois séculos atrás. Por onde tem andado Só tem feito Caca Ou não seja estouvada Por capitais. Até se tingiu de carbonária. Deseja a marcha atrás Que os Povos são pau mandado Com mais ou menos jeito. De contrário... zás-catrapás-pás e Bum!... Cada bola mata um... Desde que tenha ouropéis Tudo o mais Pode bem andar aos papéis.

31 - Ai flores do verde pinho Que no mar Andam a boiar Dizem que Assim trovava Dinis o rei Bom poeta e Não tão bom marido Já que perdido Se achava ao ver Velidas a bailar. Roda que roda Rema que rema A vida gira Ora boda Ora trema Espada de volteio Oxalá que não fira. Saudades tenho do mar Como ele as tem da terra Ai quem me dera Bordar rendas de paz Nos lençóis da guerra. Muda que muda Avida é sempre diferente Quem apregoa novo Com ideias de velho Não gosta de ser povo teima ser relho. Matemos o estado social. Demos corda ao neo-liberal E veremos como a direita Nos leva ao endireita E de todo que não faz mal A miséria sempre amou Portugal. Ai flores do verde pinho verde.

32 - Pum Catrapum Pum... os putos brincam Aos polícias e ladrões Felizes por sonhar Que o bem Vence o mal. Crescem. Uns serão polícias Outros ladrões Talvez. Se o forem Poderemos também ver O mal ser bem E o bem ser mal E nada poderemos fazer Se nos limitarmos A encolher Talvez sorrir Ao ouvir Pum-catrapum-pum.

33 - No vozear dos cafés Dos mercados das ruas Dos transportes A indignação Larga palavrões Esmurra corações Arrasa fés Declama pecados Estoira luas Programa mortes Mas não salva Nações. Acagaça-se com o Estado. Amedronta-se com o Governo. Reverencia o Depuatdo. Arranha-se no desgoverno Mas não salva Nações. Beatiza autarcas Pedincha aos deuses Joga lotarias Aposta raspadinhas Nada sabe de Petrarca Se se vê na tê-vê Acena "adeuses" A toda a confraria Mas não tem nadinha Com que salve Nações. Ainda se enrolasse o terreiro do Paço Em papel almaço E o enfiasse Numa garrafa E o enviasse Para o mar profundo Talvez mudasse O parco do seu mundo.

34 - Perfumado O teu corpo fala De maresia. Solo amado Que nos cala Com ironia. De um lado pinho De outro carvalho Mal fica o linho Sem tanto orvalho. Do teu corpo as dunas Ofertam-ma horizontes Faltam galeras e escunas Para voar acima dos montes. Real é o que inventas De tudo o que vês e sentes Imenso Cabo das Tormentas Esperança porque mentes. nada é mais lindo Do que o teu corpo bravio Mesmo agrest é infindo E morro Se não acaricio. Nas tuas lágrimas moliceiros Ontem suados Hoje turísticos. Asas dos meus anos primeiros Tão urbanos e tão rústicos. De igual modo os rabelos Monges negros das ravinas Do velho Douro castelos Levando o vinho às rapinas. Trovando se entoa o fado Nas margens do Mondego Todo o tempo é estudado E tudo parece mais cego.E do Minho solta-se o vira Se um dia amor Voltar a Viana Quanto se quer É o que se tira Nesta malhão que não engana. Ah Lima Que o romano pensou esquecimento Galo e rima Que fez do barro Conhecimento. tejo de afrontas e desdém Levando ao mar a liberdade Que airosa como ninguém Escapou a Lisboa por realidade. Deixa o Guadiana Tornar-nos ibéricos Que a razão emana Das dores dos periféricos. Perfumado o teu corpo seduz Mil viajantes do mundo. Solo amado que nos guarda e conduz Do cume até ao fundo. Quisera deixar de te abraçar Pudera não te ter por perto Solo amado que não paro de amar Mesmo que ateu de qualquer encoberto.

35 - Há um Povo dentro de mim Diverso do Povo que me rodeia. O que transporto Ousa incêndiso Nos horizontes Desafiando Todas as crenças e amarras Inspirando Sementes novas tesouras de avenças e arras. O outro è mais morto que vivo Não fustiga Tudo o que o agride Tudo o que o rapina Tudo o que o humilha E se lhe perguntam Como está Logo logo responde Vai-se andando Como deus quer. Ai de quem se condena A títere de uma qualquer vontade Deixa de ser E acaba Faminto de Liberdade.

36 - Discreta Indiscreta Secreta A velha zorra capital Ronda Alimenta Ronda Rapina Ronda Expolia Ronda Etilizada de tanta sanha Anbiciona sugar Quase todo o sangue Da manada. E amedronta Encena cataclismos Ameaça fomes e sedes Uiva No cruzamento De todas as ruelas Montes e vales Uiva Regougando farsas Que semeiam dúvidas Na manada Estupidificada E ronda Pela trela do medo instalado A fragilização crescente Óptima para Todos os ataques Frios Virulentos Mais e mais A velha zorra capital Tem o vórtice da fome Que a não deixa parar.

37 - Dormiste bem Meu bem Interrogação Natural como um rio No velho vale do amor Ou na charneca da amizade. Minha alma sorri E em jeito de onda do mar Vai à janela Cismar o tempo E volteia Encara o meu corpo Com novo sorriso Que a manhã está livre Para me levar Onde for preciso Se ela quiser Se ela vier Deixá-la em casa É perder a asa E não saber Como voar No sopro do sonho. Será por isso Que anda tanto mármore Trauteando As ruas do Mundo?!...

domingo, 19 de setembro de 2010

11- A palavra veio de muito longe Dos confins dos tempos Transportada pela alma humana Não pode Não deve Ser vendida Nem hipotecada Nem trocada Como qualquer coisa Que as máfias disputam. Não mora em palácios Nem nas catedrais Nem nas ruas. A palavra vive Na essência humana Essa alma que nos redime Da lama que somos. Sem a palavra Seríamos apenas A aflição do gesto E não sei Se saberíamos mais Do que a agressividade.

12- Regresso Onde sorrias E te despias Regresso Com um açude No meu olhar Por tudo o que nos sufocaram Por toda a estrada Que roubaram Ao que escrevíamos Ao que pintávamos Mesmo quando Sobretudo quando Nos publicavam E nos negavam A porta aberta Para o horizonte.São os novos ditadores Ou apenas lavradores Do egoísmo sem lei. Ignorantes Mesmo quando querem Ser navegantes Dos labirintos culturais. Pensam em tudo Como mera fabricação de moeda. O que não serve Pode ser o melhor Mas não presta Porque não tilinta. Regresso Onde sorrias E te despias Regresso Com açudes No olhar.

13 - Caminhar Destino de quem vive De quem descobre A inocência De cada ser. Caminhar A impossível maresia Dos retornos A suave expectativa Das partidas A difícil clarividência Das catedrais Despidas dos tectos e das cúpulas. Caminhar Apenas um sopro ou um voo Nestes dias.

14 - Que palavras escondemos Ou se escondem Dentro de nós? Há muito de animal Que se degladia com outros Para conquistar Para manter Um qualquer lugar No grupo respectivo. Alheei-me Dessas lutas. Procuro manter a juventude Que habita o meu coração Que mora e viaja No meu cérebro. Algo que não perdoam. Outros. Todos os que nunca quiseram Viajar comigo. A maioria. E provocam. Ó velho!... riem. Se soubessem Quanta amargura escorre Do seu ar parvo Do seu riso de mastim Fugiriam deles próprios. Cheiram a podridão total E não sabem Enão sentem. Por tudo isto Agora sei porque muito negaram a luz A muito que tenho escrito. Se fosse rico Ou um qualquer mecenas!... Há demasiado oceano A exigir espaço O que pode terminar Com a presunção terráquea!...

15 - Há penugens de cagarras Nos bolsos da alma Que navegou Nas crinas atlânticas. Há poalha de vidros Nos olhos dos corpos Afogados de ciades. Há ventos de ironia e desdém Nas bocas de todos Que descem obrigados Escadas da fortuna. Há murros e socos Nas mãos iradas dos que enfrentam Doenças e males Com que a vida os atriaçoa. Há descrença no desespero Dos que veem a morte ceifar Entes queridos Que lavravam o bem. Há jardins de risos e afagos Em todos os que aceitam A vida Como bem querer. Há rotas de descoberta Em todos os que ousam Ultrapassar derrotando Cárceres dos sistemas Que nos esganam.

16 - Ah Esta saudade que trago Da liberdade que já tive E daquela outra Que mais desejei ter. Nestas ruas do mundo Em que tudo e todos Se transformam Em cruéis competições Há o esquecimento De quanta pacatez Se transforma em assassina Da natureza Homicida de almas Ladra de crenças Traficante de esperanças Mistificadora de essências Mercadora de protagonismos Covarde semeadora de joios. Quem nos sonegou Mapas dos novíssimos Caminhos da paz? Quem nos queimou As gramáticas da cultura? Quem nos rasgou os dicionários da amizade Da tolerância Entre os Povos? Urge encontrar o portal De nova e inovadora Dimensão. O que temos Já não tem sementes de sorrisos.

17 - E o rio corre Escorre Com toda a plangência Das cordas de uma guitarra Romanceando A única certeza Estamos vivos E tanto Que imprimimos Nossos passos nas areias Até que os ventos as varram E nos deixem apenas Memória Para ilustrar A voz que há-de bordar Estórias Com que imaginamos a Vida Que cumprimos Pouco a pouco Golo a golo Numa sorvência Que nem sempre dá Para saborear e dizer Se a colheita É de bom ou de menos bom ano.

18 - Chovo. Por dentro de mim. A tua ausência Rouba-me oxigénio. Quando surges Tudo se faz Para que não sonhes Ossos. Quando surges Apenas se oferta Musgo Estrelas Mar Rio. Não entendes A linguagem estranha Que a tua ausência Cria. Não entendes A tempestade que me varre Quando não falas Quando não surges. Dói-me a alma. Na tua ausência. Tu que sabes da jardinagem Do meu sorriso. Preciso de ti e não sei Como se fabricam A lua e o sol.

19 - A vida é um quase nada E o vento a jangada Que navega a tua pele Meu tempo Meu mundo Meu sonho de florescer No teu coração Além do universo Com toda a força Com toda a ternura Com todo o encanto de caber a vida Num único verso.

20 - Canto Fonte gotejante Voz Seiva Levadando a terra Mondego de mil saudades E todo um Tejo das mil cidades Que dançam em Lisboa Que prenhe de lua Anda de rua em rua Só para ouvir Fados que navegam A vida que somos A que inventamos A que amamos E odiamos E toda a outra Que desejamos. Canto Velhas tavernas Onde o anjo e o demo que somos Se abraçam Bailando toda uma noite Que penteiam Com toda a ternura Com que dois corpos Num só se tornam Sonhando Todo um mundo Sem tempo nem voz Mas que sente Com imensa fundura A vida da vida Que nos torna Uma escultura.

21 - Não posso Nem quero Aceitar Essa tua razão De virtude A escravidão A que me queres condenar Apenas quero sonhar Tentar alcançar Que a paz seja Fundo desejo Um beijo Mergulho neste mar.

22 - Revolucionário E operário Em frustração Quase perde o tino Nunca a razão neste desatino Crise em ascensão Bolor que tresanda À burla de quem manda No mundo Num País E rouba fundo Matando a raíz Do poder que detém Que um ser Não se mantém Se a terra Que o sustém Andar esfomeada Rica de nada Rota de esperança Uma vida Que não avança Um filho que olha o futuro E vê um muro Duro Difícil de abater Que o rio Que o trabalho é Tem que terbrio De ser uma só mão E agarre Toda esta corrupção E a torne construção De um mundo melhor Diferente Avançado De vez humanizado Livre de escravidão Capaz de colorir O baço de agora Que a vida é Sentimento Coração E está na hora De pôr em movimento A libertação.

23 - Não sei Se me ouvem Se me entendem Se resisto e ganho Ao egoísmo invejoso Que me tenta manietar E calar Destruindo Esta liberdade De lutar Por uma Humanidade Mais sã e clara e aberta Onde a descoberta De qualquer diferença Seja alegria E não nos vença esta razão fria Do que parece mais forte Apenas porque rouba a sorte Aos que mais se acovardam Em nome de um respeito Que nunca foi devido A quem nos desrespeita.

24 - Cinquenta e nove anos depois De ter visto a luz O mar que a vida é Ofertou todos os humores E este barco miúdo Que navega como pode E como a maré deixa Está usado demais Exausto e triste Apesar de querer Em cada dia renascer E não se render A todas as rebentações Que quase o esmagam Na balbúrdia das marés. Pais que não foram mais Que ditadores Abusadores Castradores De tudo e de nada Apenas porque sim. Mulheres que por amor Quiseram apenas devorar Limitar Domesticar aos seus desejos. Mais gente que quiz destruir Mentindo Roubando Tudo e nada Em nome de uma qualquer Algaraviada Que pouco teve de vida. Que fazer Na hora Em que tudo parece desabar? Apesar de tudo O barco frágil continua teimoso a navegar Entre o sol e a lua Contra quantos apostam Em o ver sucumbir Para de vezPoderem mentir Negando a exist~encia de quem usou A inteligência Para ajudar a florescer Em cada grão de tempo Um mais limpo amanhecer Mendigo de amor Eterno ouvinte da dor Que a rua do Mundo Não consegue conter. Junto a este Tejo Sereno e manso Que vai escorrendo até ao mar Espera-se apenas Que o verbo amar Nos revisite e reinvente Para que não deixe de navegar O peque no barco Que a vida é.

25 - "somos o esquecimento que seremo" escreveu o argentino Borges. Acabamos tecendo Pulverizando Tecendo cada sopro cada avo Do tudo Do nada Que somos mas sempre convencidos de que eternizamos Que mareamos Que somos fundamentais à vida. Nem quando semeamos Levedamos A nossa esperança O filho que julgamos A nossa garantia De continuidade. Convirá sermos crentes Para que não cresçamos Até ao esfíngico Do conhecimento.

26 - No País de todos os equívocos ( Viriato não era cavernícola Nem pasator dos Hermínios; Afonso não andou à porrada com a mãe; Henrique não teve escola náutica em Sagres; Sebastião não volta com o nevoeiro; Monarquia não era só viciosa E a república apenas virtuosa E mais E mais) Há que dizer A verdadeira crise De todas as crises É a consciência Que cada um tem Das coisas e dos seres. A maioritária Parece andar anémica. Emotiva. Demsiado sensorial. Acaba por condoer-se da vítima E a simpatizar com o arguido. Tanto que até o coroa E depois lastima-se Por voltar a ser vítima. No País de todos os equívocos A arte fulcral A arte de bam cavalgar toda a sela Como diria Duarte o esclarecido É este saber remendar Mantendo o essencial do pano Sempre imtacto e putrefacto. Safa!...Já desespera Quem vê O desfazer Do tecido. Vá. Costure-se mais um remendo... quem sabe Se à força de tanto remendar Não há-de tudo se esboroar Perfeita ilusão de espuma Que o mar oferta Para logo devorar. E depois... a lua faga Caminhos exíguos com um pouco de orvalho e hortelã.